Meu caro 2018, como foi a vida!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Meu caro 2018, como foi a vida!

O que nos mostrou 2018?

Que andamos dececionados, impacientes, irritadiços, cansados, intolerantes com a conversa da treta e com as falinhas mansas. Até eu dou por mim a falar em energias e outros que tais!

Porque andamos assim, se vivemos tempos de “glória”? Ordenados que crescem, emprego com fartura, até a gasolina e a eletricidade estão a baixar!

Sente-se que a velha Europa e os potentes Estados Unidos estão a ressentir-se de décadas de promessas por cumprir, de elites que crescem, de uma riqueza mundial que não se distribui. De uma sociedade que cultiva a falta de dignidade e a falta de esperança. Basta vermos os que se atiram ao mar para sobreviver. Os que caminham quilómetros para ter uma vida.

Sinto que estamos a viver um tempo em que o copo de água se está a encher gota a gota, bem devagarinho. O que se receia é que entorne sem pré-aviso.  “Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não as acordar”, dizia o escritor Nelson Rodrigues.

O surgimento dos populismos, dos nacionalismos, dos autoritarismos e dos conflitos religiosos deve-se à luta pelo reconhecimento das identidades. Parece que TEMOS tanto que agora só queremos mostrar que também sabemos SER. Tudo e todos tem uma opinião fundamentada e alicerçada que assumem como uma verdade absoluta. Bem, se calhar antes já era assim, não tínhamos era o caldeirão das redes sociais.

Um mundo tão “fake” como as “news” que o alimentam, mas com consequências bem concretas no real: votos de descontentamento nas urnas, manifestações, paralisações e contestação nas ruas. Elegem-se personagens como o Bolsonaro e outros que tais. Tivemos um Brexit que devolvia a grandeza imperialista à Grã-Bretanha, e acabou por se revelar uma lavagem de roupa suja. A França da igualdade, da liberdade e da fraternidade, com as promessas de um líder jovem e fora do sistema como Emmanuel Macron que veio a revelar-se igual aos outros, com a Alemanha acolhedora dos refugiados, mas que não cuida dos seus, com a Europa que não encontra caminho unificador nem voz comum, com um mundo onde os homens ainda dominam…

O bom de tudo isto é a memória curta: Esta democracia que treme como a gelatina que acabei de fazer, está longe de estar sólida e inabalável.  O mesmo se passa com os valores de cidadania muito distantes de estarem completamente assimilados. Ainda, achamos que podemos deitar lixo para o chão sem ter consequências!

Por cá, vivemos a retoma de uma recessão económica e de um apertar do cinto que tanto custou a todos, começa agora a fazer-se sentir um certo desânimo. É a fartura, bem diz a minha mãe que faz mal. O Costa devia ter tido uma mãe como a minha e sabia logo desde o início que devia racionalizar os doces. Não pode ser tudo de uma vez.  Portugal acabou de saldar a sua dívida ao Fundo Monetário Internacional, com um pagamento antecipado simbólico, pois pedimos um empréstimo para o fazer!  O que Costa ainda não se livrou foi das bolsas de contestação setoriais que parecem difíceis de satisfazer.

Vidas, problemas de primeiro mundo! Nesta mesma bola ainda há muitas realidades, muita gente que passa fome, que não tem um espaço seguro, um teto, água potável, educação, esperança, dignidade, futuro… Vem daí 2019, já vamos ver o que fazemos contigo!

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