Meu querido mês de agosto

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Por: Laurinda Ribeiro

O mês de agosto vai mudando de rosto

Durante cerca de meio século os emigrantes foram ignorados pela classe política e marginalizados pela hierarquia e não só…

Abandonados à sorte, alguns sem saberem ler nem escrever, tiveram pela frente a dura tarefa de procurar sobrevivência e integração.

Foi difícil gerir a separação a “eterna saudade” da família, dos amigos e da Terra Natal.

Para fintar a saudade, as primeiras vagas migratórias recorriam ao vinil e cassetes, de temas “sobre a vida de emigrante”, do conjunto Maria Albertina, Dino Meira, da mala em cartão de Linda de Souza e de tantos outros que aproveitaram a maré.

Pouco a pouco, com muito trabalho e força de vontade, foram criando o seu espaço, construíram casa, criaram associações, facilitaram geminações etc… e o panorama mudou de cor.

As tão esperadas e merecidas férias ajudavam a carregar baterias junto de familiares e amigos e decorriam sem grandes sobressaltos.

Atualmente, e ainda bem, o quadro da emigração já não é o mesmo… mas parece que tudo gira à volta do “bornal” do SENHOR EMIGRANTE!

As festas, romarias, feiras e eventos, passaram quase todas a festejar-se ou refestejarem-se em agosto. Por todo o país se passou a realizar a “Festa do Emigrante”.

Proliferam os conjuntos musicais e todos os dias, em cada canto das nossas aldeias, vilas e cidades, há algo que convida à diversão. Apesar de tudo, existe um sentimento de vazio; o convívio familiar vai diminuindo, não há tempo para visitar os amigos, acumula-se o stress… muita fruta fora de época!

Será este o caminho certo para a preservação das nossas tradições, da nossa cultura, da nossa história, da nossa fé… e da nossa identidade?!

Ao iniciar um novo ano de trabalho quero desejar a todos os emigrantes, um bom regresso aos países de acolhimento, muita saúde e felicidades.

Fico pedindo a Deus que ninguém tenha a ideia de festejar a Páscoa e o Natal no mês de agosto.

Começo a ter saudade de ter saudades!

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