Montanhista arbóreo… assim se designa Délcio Seco [com vídeo]

0
649
(Foto: Dão e Demo)

Reportagem: Acácio Pinto

Tem 48 anos e uma vida em torno de atividades radicais.

Nasceu em Angola e reside em Viseu.

Atualmente dedica-se, em termos profissionais, àquilo a que designa de montanhismo arbóreo, ou seja, subir às árvores para lhes efetuar a poda, ou as cortar em pequenos pedaços a partir da parte mais alta, quando, em espaço urbano, não se podem derrubar de uma só vez.

Não importa a altura, onde estiver uma árvore para podar, Délcio Seco sobe por ela acima, devidamente equipado, e, passo a passo vai cortando, cortando até chegar à altura desejada.

Para subir utiliza os materiais que normalmente se utilizam em montanhismo, e daí a designação de montanhismo arbóreo para esta sua atividade. Mas o montanhismo propriamente dito é uma atividade que o fascina desde sempre e de que ainda é praticante ativo. “Pertenço ao Clube de Montanhismo da Guarda e ao CUME, de Viseu.”

Ao CUME?

Sim, Clube Urbano de Montanhismo e Escalada”, descodificou Délcio Seco.

Utiliza uma escada articulada para iniciar a subida e depois, a partir dos quatro, cinco metros e vê-lo ir por ali acima. Amarra corda, lança corda, corta um ramo e mais outro e em pouco tempo, mais parecendo um felino, está no cocuruto da árvore.

Afinal tudo parece fácil…

Mas não é. É preciso muito cuidado. Utilizo técnicas de montanhismo para efetuar esta subida e tenho também umas botas especiais”.

Olhámos para elas e percebemos que têm umas esporas que lhe permitem ir-se fixando no tronco.

Mas depois de chegar ao local onde vai efetuar o corte, Délcio Seco, amarra-se devidamente e olha em volta, é a hora de tomar as decisões, de “perceber para que lado é que a pernada que queremos cortar vai cair e se é necessário amarrar alguma corda para a desviar de algum obstáculo”.

 “Tudo tem que ser pensado, para que não haja problemas para mim nem para as pessoas e bens”, referiu o nosso interlocutor.

E depois de decidir, Délcio pega na motosserra que leva pendurada ao corpo e começa a cortar. Primeiro tira-lhe uma cunha e depois o tronco que está a cortar tomba, quase sempre, para onde ele quer.

Mas às vezes há problemas?

Sim, o tronco às vezes não vai no sentido que queremos. Ainda hoje a motosserra ficou presa e foi necessário utilizar uma corda para a soltar”.

Quanto à exigência física confessou-nos que é muito elevada e que chega ao final do dia com elevado cansaço muscular.

Délcio Seco (Foto: Dão e Demo)

Porém, estas atividades radicais não são uma novidade absoluta para Délcio Seco. Ele pratica desportos radicais há mais de duas décadas. Desde logo a escalada, fazendo montanhismo na serra da Estrela e na serra do Gerês, na parte espanhola. Mas também rapel, saltos para a água e canyoning nos rios Teixeira e Cabrum, rios de montanha da nossa região com declives muito elevados e propícios a estes desportos.

Todos estes desportos exigem muita preparação”, referiu-nos, “pois antes de irmos para o rio temos de ver a meteorologia, contactar o instituto responsável pelos rios para ver como estão os caudais, se vai haver aberturas de comportas…”.

Enfim, a conversa com Délcio Seco sobre estas suas atividades era fluente e ele avançava com pormenores reveladores de quem tem um profundo conhecimento a este nível.

Mas regressemos ao montanhismo ao arbóreo para deixarmos uma confissão que Délcio Seco nos fez. Referiu-nos, muito compenetrado, que era para ter vindo fazer este trabalho, na escola secundária de Sátão, alguns dias antes, mas não se sentiu bem e não veio. Falou-nos de uma sensação, de uma intuição que por vezes tem e que ele respeita.

Explique-nos?, questionámos.

É assim, eu quando não me sinto bem não vou fazer estes trabalhos. Ou quando estou a fazer um serviço e, de repente, o estado de espírito não é o melhor, interrompo o trabalho e retomo no dia seguinte”.

E acrescentou: “É que as árvores são todas diferentes e são muito complicadas e eu tenho que estar bem”.

E é assim que, seguindo a sua intuição, o seu ‘sexto sentido’, Délcio Seco efetua esta atividade “há cerca de sete anos” sem problemas de maior a registar. E apesar de também “fazer alguns jardins, do que gosto mesmo é de fazer isto, de subir às árvores”.

Portanto do que gosta é mesmo de atividades radicais?

É verdade, mas fica a saber que também fui bibliotecário durante cerca de 11 anos nas Escolas Superior Agrária e na Superior de Educação”…

Enfim, uma história de vida prenhe de tantas boas estórias…

E por aqui ficámos. Délcio Seco, disse-nos que queria chegar a casa para descansar, pois “amanhã cá estarei de novo para terminar o serviço”.

Obrigado, Délcio Seco!

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.