Não faças isso que jesus castiga!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Esta é talvez das frases mais ouvidas no seio de uma família católica. O peso da religião está bastante presente na educação de muitas famílias. Durante décadas, o mundo ocidental mergulhou na supremacia da religião. Foi esta a baliza moral das sociedades, impondo-se como uma autoridade que definia o certo e o errado. Uma autoridade que punia e culpabilizava usando o nome de uma entidade superior. Mesmo, conhecendo a história das cruzadas, ou da inquisição, muitos são os que atribuem à igreja um status moral superior. Poucos foram os fiéis que questionaram práticas ou as pessoas que se apresentavam à sua frente a evocar uma autoridade que ninguém conhece.

A religião é comandada por Homens. Apesar de ser literal, refiro-me a estes no sentido da Humanidade. Somos capazes de atrocidades. Numa comunidade tão grande como a igreja católica, seria impossível que não houvesse pessoas com más práticas. No entanto o cerne, é que todas protegeram as más práticas. O que torna toda a gente cúmplice! O que retira credibilidade a tudo e todos! 

A igreja católica está soterrada em vários escândalos de padres pedófilos encobertos pela hierarquia, em nome da proteção da instituição. Será uma Instituição mais importante que os valores que defende?

Está por todos os países. Vinte dos 39 cardeais holandeses, bispos e bispos auxiliares foram implicados em casos de abuso na igreja católica entre 1945 e 2010. A igreja católica alemã declarou-se “desanimada e envergonhada” depois da divulgação de um estudo que revelava que milhares de crianças sofreram abusos sexuais nas mãos de padres entre 1946 e 2014.

Pelo menos 3.677 crianças, a maioria meninos com menos de 13 anos, foram vítimas de abuso sexual por 1.670 clérigos.

Outro relatório que pôs a nu décadas de abusos sexuais por parte dos membros da igreja católica nas dioceses da Pensilvânia, nos Estados Unidos, diz-nos que foram sete décadas de abuso sexual. As 1000 páginas de relatório compilam as conclusões de mais de dois anos de investigação e relatam casos de abusos perpetrados por mais de 300 padres contra mais de 1000 vítimas de abuso sexual identificáveis de seis das oito dioceses católicas do estado (Allentown, Erie, Greensburg, Harrisburg, Pittsburgh e Scranton), que a Igreja tentou encobrir. Durante anos, bispos e padres persuadiram as vítimas a não denunciarem os crimes e as autoridades a não os investigarem, revela o documento.

É apenas o último desenvolvimento da já longa lista de “atrocidades” – palavras do Papa Francisco – tornadas públicas nos últimos anos que aumentam cada vez mais a pressão sobre o Vaticano.

De facto o Sumo Pontífice adota uma postura inédita, condenando de forma veemente os crimes cometidos e reconhecendo que “nunca será suficiente o que se faça para pedir perdão e procurar reparar o dano causado”. Esta missiva torna-se especialmente relevante. Agora, que implicações terão estes escândalos na instituição? Mudará a política da mesma, colocando, como por exemplo, o celibato como uma opção e não como uma obrigatoriedade? Será apenas necessário mudar este parâmetro? Iremos erradicar esta prática enraizada ao longo das décadas.

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