Ned Kelly: uma barbearia modernaça

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Abílio Travessas: Colaborador Dão e Demo - jornal digital

Por: Abílio Travessas

 Abriu há pouco tempo, perto do local onde moro, Póvoa de Varzim, uma barbearia bem moderna que deixa as tradicionais fora de moda. Tem nome, Ned Kelly, pouco vulgar; um painel à entrada, dá-nos uma pequena biografia com imagem do herói. Para quem não conhece a personagem, é suficiente. Para os mais exigentes há filmes; o que vi, há já alguns anos, é protagonizado por Mick Jagger que dá corpo ao fora-da-lei australiano que teve pela sua cabeça um dos prémios mais elevados. Seguindo o jornal Público na página da televisão: “Depois de ver o pai assassinado e de ser injustamente preso, Ned Kelly regressa para junto da mãe determinado a levar uma vida honesta”. Mas, por motivos de vingança, Ned e mãe são acusados de homicídio o que o leva a formar um bando, embrenhando-se nos bosques australianos, “assaltando bancos e aumentando a sua fama. Para o povo, Ned e os seus homens são heróis; para as autoridades, obstáculos a destruir”.

O filme é de Tony Richardson e da memória que me resta dessa primeira visão ficou a batalha final em que Kelly enfrenta o exército, com armadura e capacete de ferro, já só. Julgado, acabou na forca, imagem com que começa o filme que continua com a saída da prisão e o regresso a casa, com uma canção em fundo, que Jagger também canta: Tiraram-no da  prisão de BeechWorth em 1871/pelo roubo de um cavalo/que ele jurou nunca ter feito/Mas agora vê o sol/e vira as costas a tudo isso.

O filme passou integrado num ciclo, durante o mês de Novembro, de westerns, da FoxFilmes. Será um pouco abusiva esta consideração do filme como do género tipicamente norte-americano mas valeu pela possibilidade de o rever.  Tenho visto grandes filmes, uns que nunca vira, e outros que revi com agrado. Grandes realizadores, Polonski – O Fugitivo do Vale, 1969,no original Tel them that Willie Boy is here, protagonizado por Robert Redford; Raoul Walsh – Duelo de Paixões –bons diálogos, belíssimas paisagens e um começo de antologia: dois irmãos que regressam da guerra da Secessão,  passam por um enforcado e um deles diz, chegamos à civilização! –  com  Clark Gable, Robert Ryan e Ester Willians, uma das actrizes que povoou a minha adolescência, a par de Cyd Charisse, as mais belas pernas do cinema americano dos anos 50. Colecionava cromos de artistas de cinema que comprava no quiosque da Praça do Almada, a par de A Bola, trissemanário de todos os desportos, com os melhores jornalistas. Houve também Jonh Houston com um filme – O passado não perdoa-  de violento ataque ao racismo, na figura duma índia, Audrey Hupburn; mas o que sobressai nestes filmes é, muitos deles com acção passada nos anos subsequentes à guerra civil, uma nação em construção com a lei das armas a imperar, o genocídio dos índios, mulheres de forte personalidade e homens a lutar por causas como  Os sete magníficos; aqui, continuo a preferir o original, sequela de Os sete samurais.

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