Sátão | Novos sítios arqueológicos:  O lugar da Lameira, Silvã de Cima

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Por: Hugo Baptista – arqueólogo (*)

Os mais recentes trabalhos de prospecção arqueológica realizados por iniciativa da nossa Câmara Municipal, permitiram identificar um novo sítio arqueológico. Pelos vestígios que encontramos à superfície, na maioria resultantes de lavras e outros trabalhos de movimentação de solos, permitem-nos para já enquadrar este sítio no período romano e altomedieval.

Os vestígios agora identificados localizam-se numa área privilegiada, concretamente numa suave encosta voltada a sul, muito fértil e dotada de abundantes linhas de água, minas e poços, alguns dos quais revestidos por pedras talhadas. Dispõe de excelente visibilidade, sobretudo para sul, estando muito próxima da povoação do Casal e Silvã de Cima.

De entre os materiais que encontrámos destacamos abundantes fragmentos de tégula e ímbrice (telha romana, muito grosseira), alguma foi colocada nas reentrâncias de muretes de contenção de terras, fragmentos de grandes recipientes de armazenamento de líquidos ou sólidos (dollia), muita cerâmica doméstica e também reconhecemos alguns restos de fundição de metal, o que indicia a prática da fundição. Segundo recolha oral local, durante a realização de trabalhos agrícolas foram encontradas duas bases de coluna, que se encontrarão na posse de um particular (ao qual não foi ainda possível aceder). A recolha oral permitiu também saber que, durante a plantação da actual vinha, “apareceu telha muito grossa, alinhamentos de pedras sobrepostas, pedra aparelhada, alguma da qual com marcas de fogo. Estes vestígios foram aterrados”.

Ainda nos muretes de contenção de terras, além da utilização de pequenos troços de telha, encontrámos fragmentos de mó circular manual, restos do que aparenta ser um peso de lagar e mais frequentemente identificamos a reutilização de pedras de faces bem talhadas, que deveriam ter pertencido a antigas estruturas.

Ligeiramente afastado do núcleo central, onde aparecem mais vestígios, encontramos um tanque suavemente escavado num grande afloramento granítico. Trata-se de uma pia retangular com mais de 2 m de comprimento, cerca de 60cm de largura e  20cm de profundidade. Uma vez que esta estrutura está camuflada por densa vegetação, dificultou a sua caracterização e também não foi possível encontrar a bica e os entalhes laterais onde assentaria o fuso ou roca.

No limite Este deste lugar, numa zona dominada por pinhal encontramos duas sepulturas escavadas num grande monólito granítico. Entre ambas encontramos uma pequena concavidade retangular que poderá corresponder a uma pia de libação (?) associada à limpeza espiritual e temporal  do corpo antes da sua deposição. Existem marcas evidentes de extracção de pedra que levou á destruição parcial de uma das campas e desconhecemos se existiriam outras.

(*) hugosatao@gmail.com | ArqueoSátão – Arqueologia do Concelho de Sátão

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