O amuo de Costa e a política no geral…

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Vou contar-vos uma história de um professor de História de uma escola secundária que se tornou um herói de massas quando fez um discurso viral. Criticava a corrupção na política. Ora a história é da série Ao Serviço do Povo onde, Zelensky dá corpo ao professor de história. Ironia, (ainda dizem que esta vida não dá voltas), Zelensky fez exatamente o percurso da personagem e, imagine-se, hoje é o primeiro ministro da Ucrânia, derrotando o dinossauro político, com 75% dos votos.

Os ucranianos elegeram um ator de comédia. Tal, diz mais do estado da política e dos políticos do que dos eleitores! O mesmo se pode dizer das dificuldades legislativas em Espanha, ou da eleição do “nosso” Trump.

O sistema político mundial precisa de uma reciclagem. Precisamos de novos atores de novos intervenientes. Pessoas que sintam as necessidades atuais, que saibam que os desafios de agora não são exclusivamente défices, mas questões ambientais, não é a percentagem de desemprego que importa é a máxima de que as pessoas não querem empregos que os deixem ricos, mas sim enriquecidos!

Onde anda a malta da década de 90? Vamos reformar este sistema político que se mostra viciado, alimentado pelos mesmos interesses, pelos mesmos intervenientes, pelas mesmas estratégias…

Por falar em estratégia, vamos falar do amuo de Costa?

Ora, os professores pediram as retribuições dos últimos 9 anos, 4 meses e 18 dias. O BE e o PCP disseram logo que sim. Não só disseram que sim como arregaçaram as mangas para uma proposta a ser levada ao parlamento. Sabemos que esta ala política defende o princípio independentemente de haver condições ou não. Não é que, em véspera de eleições, o CDS e o PSD acharam que deviam ganhar uns quantos de eleitores e vai de assinarem por baixo, mesmo sem ler, como foi o caso de Rio.

A direita, que percebeu que, mais ano, menos ano, lá volta a governar, percebeu que se tratava de uma pescadinha de rabo na boca. Se anuísse agora tinha de levar com a herança dos 340 milhões, ou 240 milhões ou dos 500 milhões… que isto ninguém sabe bem quanto é que custa a medida, bem dizia o nosso Guterres: “façam as contas”! Então veio logo corrigir, dizendo que concordavam em pagar aos professores, caso houvesse condições económicas e custasse 0 euros ao orçamento de estado, como afirmou Cristas.

No meio de tudo isto, Costa soltou a Drama Queen que há em si e falou ao país, dizendo que se demitia. Esperto, que isto de não fazer como nós queremos é aborrecido. Bem me lembro de amuar sempre que a minha mãe não me deixava fazer o que eu queria.

Costa quer a maioria, quer livrar-se dos apêndices BE e PCP e por isso mostra ao país que é o sensato da relação, o confiável (sensatez apenas aqui, porque para dar dinheiro aos bancos é tudo à grande e à francesa). O que vira a página da austeridade e faz de um tudo para manter o défice equilibrado e bonito. Imagino Costa a pensar: já subi ordenados mínimos, baixei IRS, os preços dos passes (logo no aninho das eleições, que é para os velhotes votarem) e mesmo assim esta malta não se cala com os direitos? Que mimados!

Costa fez o seu show. Jamais achei que se demitisse, tal como jamais achei eu que o PSD fosse para a frente com a questão dos professores. Fizeram a novelinha de maio. Agora, os governos têm de se precaver com estas questões das promessas. Houve quem prometesse tal aos professores. Houve quem para chegar ao poder dissesse que ia repor tudo. Houve quem dissesse que estávamos muito bem e que agora era sempre a abrir!

Conclusão, todos pedem, que pedir não custa.

Custa sim ao país, que não pode viver de orçamentos retificativos, nem de orçamentos atuais que servem para repor anos passados. Nenhum partido poderá assumir que quer governar a repor salários, ao invés de os aumentar na proporção do crescimento económico do momento. Se o orçamento deve ser para cobrir falhas do passado, deixa de ser um orçamento para o ano de 2019 para ser um orçamento para os anos passados.

Ninguém vive do passado!

Por isso é que no presente precisamos de gente que esteja na política, não para fazer estratégia, mas para defender convicções.

Eu sei, esta minha utopia…

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