O Estado não quer que eu tenha filhos!!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Ah, agosto!

Aquele mês das férias. São as quinzenas boas de reencontro familiar, de petiscos, de praia. De roupa fluida, sem gravata, sem saltos, sem fardas! Corpos bronzeados e cara lavada. Horas de sono postas em dia.

Metade do país vai para o algarve a outra metade fica nas festarolas da terra! Conclusão, país fica naquele bom far niente. Quem trabalha em agosto sente o diminuir de chamadas telefónicas, de mails e de interpelações. Depois, vem o setembro com os mails urgentes. Ressalva para os que se esfolam (nesta altura) na restauração/atendimento ao público. Até os nossos governantes andam em modo zen ele é calção de banho, mergulhos, concertos… eles vão a todas e deixam os assuntos a marinar.

Pronto somos um país à beira mar, em agosto.

Não vou falar sobre o estado geral do país no querido mês dos nossos emigrantes. Vou falar de um flagelo que me atormenta a alma! Tanto relax generalizado que leva ao encerramento de escolas, creches, ATLs e afins. Conclusão, ou se tem um mês de férias em agosto ou se deixa o miúdo com a prima em quarto grau que fala mal português porque vive na suíça!

Hoje em dia, mal nos desligamos dos nossos trabalhos. Somos um povo que trabalha demasiadas horas semanais e regra geral leva trabalhinho para casa. Ora é mail, ora é telefonema. A facilidade de comunicação tem conduzido a uma diluição da vida profissional vs vida pessoal.

Portanto, qual o português que se pode dar ao luxo de ter um mês completo de férias? Ou os famosos três meses de interrupção escolar?

A segurança social recomenda que a criança esteja um mês fora da creche. Entendo a diretiva. Há que libertar da rotina, do espaço e das pessoas de todos os dias. Tal como nós precisamos de respirar do nosso trabalho, por mais que amemos o que fazemos.

Agora, todos nós temos direito a 22 dias úteis de férias. Regra geral repartimos, salvo situações de empresas que fechem. Assim, de repente, fábricas. Mas muitos de nós trabalhamos em setores que estão abertos 12 meses por ano.

Conheço, através de outros, situações difíceis. Principalmente quem frequente o público. Infantários que encerram em junho e ATL que fecha o mês de agosto! Ou, no caso de creche, onde nem se pode recorrer à opção ATL!

São estas questões que fazem da maternidade um autêntico quebra-cabeças! Nem sempre há suporte consistente ao nível familiar. Não deveria o Estado oferecer opções e soluções aos pais para que eles possam exercer a sua atividade profissional de forma descansada?

Como é que vocês fazem? Partilhem receitas que acho que muita gente agradece.

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