O Observador conta-nos a história de Henrique Jorge, o viseense que nos quer pôr a viver para sempre

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O Observador, através da jornalista Ana Pimentel, conta-nos a “história” de Henrique Jorge, um viseense que está a dar cartas no âmbito da criação de uma rede social que quer fazer clones digitais dos seus utilizadores.

http://observador.pt/especiais/a-historia-do-portugues-que-nos-quer-por-a-viver-para-sempre-como-em-black-mirror/

Esta reportagem fala-nos deste viseense, de 50 anos, que se apaixonou pelos “computadores” nos inícios dos anos 80, pelos ZX81 ou pelos Timex Sinclair e que a partir daí nunca mais parou. Criou empresas em Viseu, como a Auto.Net, e agora está envolvido, com os seus colaboradores, na Eter9, uma rede social com 60 mil utilizadores que precisa de investimento para atingir os objetivos que Henrique Jorge traçou. Afinal, pretende-se, neste projeto, que a “segunda metade” do utilizador, a digital, com base no perfil, continue a trabalhar e a fazer negócios na plataforma mesmo sem o utilizador estar ligado à rede.

Mas nada melhor do que ler a reportagem do Observador de que lhe deixamos aqui um curto excerto:

«Henrique Jorge tem 50 anos e uma rede social que promete fazer clones digitais dos utilizadores – que agem sozinhos, mesmo quando o utilizador morre. “Mas atenção, malta. Não é um espírito, é código.”

Henrique Jorge tinha três anos quando o pai morreu. Ficou ele, o irmão “um ano e qualquer coisa” mais velho e a mãe, “viúva a vida toda”. Sentiu muito a sua falta, mas não foi um trauma. “Tanta gente que cresce sem pai”, conta ao Observador num jeito que tanto tem de miúdo como de adulto. Não é esse o problema, diz. “Mas acho giro ter uma versão do meu pai online.” Quando criou o projeto que mais tarde levaria à Eter9, em 2009, fez uma conta para o pai. Mesmo não tendo informação digitalizada sobre ele. Mesmo sem o ter conhecido. Mesmo antes de “Black Mirror”. Foi por isso que se “arrepiou” quando viu o primeiro episódio da temporada dois da série de Charlie Brooker. “Nós, humanos, pensamos todos de uma forma muito semelhante, é verdade.”

Henrique Jorge tem 50 anos, nasceu, cresceu e vive em Viseu com a mulher e as duas filhas. “São as minhas fãs número um”, atira. Conta com 12 pessoas a trabalhar no projeto digital que tem cativado a atenção de meios como a revista Wired, a BBC, o The Guardian, o The Telegraph ou o El País, e que tem posto um nome português no fenómeno da inteligência artificial utilizada para prolongar a vida (digital) depois da morte — mais mediatizado depois de Charlie Brooker ter feito do tema um dos principais anzóis de “Black Mirror”. “Quando pensei neste projeto, apontei para bem alto, para lá de Plutão.” Agora quer que a Eter9 chegue ainda mais longe, mas precisa de investimento: cerca de três milhões de euros.

Henrique Jorge vive em Viseu com a mulher e as duas filhas. Trabalhou na primeira empresa de computadores da região quando tinha pouco mais de 20 anos

A rede social que o informático começou a desenhar em 2009 só viu a luz do dia três anos depois. E foi em 2015 que a versão que hoje está a ser experimentada por mais de 50 mil utilizadores no mundo todo ficou pronta. De que se trata? De uma plataforma que cria um clone digital do utilizador — depois de beber toda a informação que sabe sobre ele em redes sociais como o Facebook ou o LinkedIn — e que tem vida autónoma quando o utilizador não está online. Ou seja, publica coisas por ele, interage com as publicações de outros utilizadores, conversa com eles e, no limite, se o utilizador deixar, pode continuar a fazê-lo depois de o utilizador morrer. E fá-lo copiando fielmente aquilo que o utilizador humano faria. “Passa a ser a extensão digital do utilizador. E isso eu acho giríssimo”, conta.

As contrapartes da Eter9 — ou segundas metades, como gosta de lhes chamar Henrique Jorge — catapultaram o projeto português para um boom de utilizadores em 2015. Num só dia, à boleia do que a imprensa internacional estava a escrever sobre a empresa portuguesa, o site recebeu 10 mil visitas. Hoje, a rede social conta com perto de 60 mil utilizadores e está na terceira fase de desenvolvimento, mas continua a ser uma versão beta (experimental) daquilo que o informático realmente quer fazer. Os utilizadores têm exigido mais da Eter9 — mais funcionalidades para as contrapartes e mais opções para o utilizador — e Henrique Jorge pôs-se a caminho. Começou a procurar capital junto de investidores estrangeiros. Objetivo: contratar mais pessoas, desenvolver a versão beta 2 da plataforma e atingir 50 milhões de utilizadores em 2023. Para 2020, o empreendedor conta ter já 10 milhões de pessoas a utilizar a rede social…»

Para ler toda a reportagem: Observador

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