O roubo na Caixa

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Não sei se já viram a série Casa de Papel. É uma série espanhola da netflix. Retrata um assalto ao banco nacional de Espanha. Sem querer ser spoiler basicamente quando chegamos a meio da série sentimo-nos a torcer pelos assaltantes. Pelo menos isso aconteceu comigo. Aliás é esta reflexão na série que nos balançar de que lado ficamos. Ora vejam, o líder do assalto diz que durante anos são injetados nos bancos milhões de euros que saem dos bolsos dos contribuintes. Reafirma que isso sim, é um roubo! Que eles apenas estão a produzir dinheiro que vai melhorar a vida de um grupo de pessoas. Não estão a tirar dinheiro dos bolsos de ninguém.

Não vos vou falar sobre a série. Mas recomendou-a. Contudo, pego nesta última deixa para falar abertamente sobre algo que me tira do sério. A forma como jogam cartas com o nosso dinheiro.

Sim vou falara-vos da nossa caixa.

Todos nós nos lembramos da grande crise e das grandes injeções de milhões que o estado fez aos bancos, certo? Nessa época estávamos todos a receber muito pouco. As taxas de desemprego estavam em alta. Havia milhares de famílias com dificuldades reais para se conseguirem alimentar. De 2011 a 2015 o país passou por severas dificuldades. No entanto, em momento algum foi cortado o financiamento aos bancos. Quanto às famílias…Bem, as que deviam tostões ficaram sem casa, tiveram de voltar a viver com os pais, ou emigraram. Estamos todos recordados desses tempos?

Também, no recordamos ainda das famosas comissões de inquérito ao BES, onde víamos a acutilante Mariana Mortágua questionar todos os responsáveis pelo banco. Hoje, há luz do desenrolar da situação parece que foi um pouco para inglês ver.

Tanto quanto sabemos, e atenção não sou da área e não conheço muitos destes meandros financeiros. Curioso que regra geral nos transmitem noções de economia, mas muito pouco noções de finanças. A CGD foi alvo de dois inquéritos, um em 2016 e logo a seguir em 2017. Foram pedidos pela oposição e muito censuradas pela esquerda que alagava que se colocava o banco público sob demasiada pressão mediática. O que poderia fragilizar o banco.

Vamos ao que se sabe. Com o atual governo, houve uma recapitalização de cinco mil milhões (nem se consegue imaginar os zeros). Nesta altura, fez-se uma comissão que, de acordo com os envolvidos, não houve acesso a toda a documentação. Em bom rigor, tratou-se de uma comissão política onde se evidenciaram as diferenças da direita e da esquerda. A segunda comissão assentou na procura de motivos para a demissão de António Domingues.

Agora o foco. O que se sabe e que nos deve incomodar a todos é quem entre 2000 e 2015 houve a conceção de créditos que se transcreveram em milhões de euros. Créditos com elevado risco. Paralelamente, vários gestores continuaram a receber bónus, mesmo que apresentassem resultados negativos. Há ainda conhecimento que houve interferências do estado na aprovação de empréstimos que não tinham obtido pareceres favoráveis ou que estavam condicionados pela questão de evidenciaram elevado risco.

Só na análise de 7 operações houve perdas de 1000 milhões de euros. Estamos a falar de empréstimos a grupos privados como a fábrica La seda e a Investifino.

O que nos foi reportado é que Paulo Macedo, admitiu erros de gestão que ocorreram no passado e reforça que atualmente as coisas estão a melhorar. Esta é aquela desculpa que todos nós usamos. Vejam lá se já não ouviram isto: “desculpa, trai-te, foi no passado, não o volto a fazer”; “ops vou só comer isto porque é natal, depois vou ao ginásio todos os dias”; “Sim errei, mas não volto a fazê-lo”.

Questão essencial, ninguém é responsabilizado, ninguém sabe o que se se está a fazer para reaver o dinheiro, ninguém sabe que mecanismos se criam para evitar estas práticas. Não há dúvidas que estas prática estão enraizadas no sistema económico português. Que os grupos económicos põem e despõem. Temos que acabar com esta promiscuidade.

São milhões que nos passam à frente, nos rodapés dos jornais, ou em letras mais pequenas. São os nossos milhões e temos, urgentemente, que perceber o que fazem com eles. Não podem fazer comunicações ao país apenas quando dizem que vão subir impostos pelo aumento do défice. É preciso explicar porque aumentou o nosso défice. Nós temos de perguntar, questionar, pressionar. Não podemos continuar a ser roubados e a não fazermos nada. O Estado somos nós.

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