Onde estavas há 9 anos, 4 meses e 2 dias?

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Quanto perderam os portugueses durante 9 anos, 4 meses e 2 dias? E a eles quem lhes devolve o que perderam?

Já sabem do que a temática deste texto, só por esta interrogativa. Ah e também já sabem a minha posição. Sim, fui óbvia. E escrevo furiosamente contra o teclado, porque tenho milhares de coisas que quero dizer que parece que o cérebro não lhes dá a ordem necessária.

Contudo, vamos com força.

Em primeiro lugar considero a profissão de docente das mais importantes de um país. Eles formam e muitas vezes educam todos os profissionais, desde médicos, a engenheiros, a advogados, jornalistas, canalizadores, trolhas e por aí fora. Dada esta importância deveria de haver critérios rigorosos para o acesso à profissão!

Outro ponto importante é perceber-se que o sistema de ensino, atual, está a tornar-se obsoleto. Hoje temos o google que debita matéria, precisamos que as aulas serviam para aguçar o espírito critico, a criatividade, a inteligência emocional e por aí fora. Precisa-se que se formem pessoas, em especial nos níveis mais iniciais.

Por último, não menos importante, acho muito mais justo que sejam dados 5 mil milhões para aumentos salariais do que a salvar dívidas de bancos que foram geridos ruinosamente!

Posto tudo isto, há que falar em classes profissionais que muitas vezes se encerram sobre si. O que não é de todo errado, mas acaba por criar um egocentrismo que nem sempre é benéfico.

Ora bem, os professores dizem que perderam retribuições ao longo de 9 anos 4 meses e 2 dias, retribuições essas que querem que sejam devolvidas. Falam inclusive em promessas políticas. O reivindicar é mais do que certo, agora a decisão de quem governa terá de ser justa e tem de promover a equidade. Com esta crise, todas as classes profissionais, melhor, todos os portugueses perderam retribuições, logo todos devem ser ressarcidos. Não há portugueses de primeira nem de segunda, certo? Eu comecei um estágio profissional no ano da entrada da troika, logo em vez de receber os 900 e tal euros como os outros estagiários antes da troika fui receber apenas 600 euros, também me devem repor esses valores, certo?

Claro que os professores podem alegar que, cada um sabe de si e deus sabe de todos. Eles estão a pedir o que é deles, os outros façam o mesmo. Têm toda a legitimidade para o fazer. No mesmo ponto está o resto do país que sente que também tem o direito a recuperar tudo, a que tem direito. Mas, acredita que mais do que recuperar direitos, não quer voltar a cair a pique, portante pretende conquistar de forma estável direitos, regalias e por aí fora.

Agora, um país tem de viver de repor pontos, ou de seguir sempre em frente? Vamos voltar a colocar o país exatamente no mesmo ponto de há 9 anos? Em tudo: impostos, desemprego, inflação…

Olhem eu gostava de recuperar a convicção de que Portugal não é um país com sistemas – o do público e do privado – nem que seja apenas por 9 anos, 4 meses e 2 dias.

De recuperar o conceito de que uma empresa é uma empresa e não o espaço para a agit-prop dos governos e ativismos que não cessaram de crescer nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar a certeza de que não inventam mais nenhum imposto, declaração, plano, taxa, registo, certidão ou programa para eu cumprir nos próximos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

E sobretudo quero, preciso, desespero por um Portugal que tenha uma classe política à altura dos seus problemas. Nem que seja apenas nos próximos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

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