Para de andar mais ou menos!

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Por: Inês Pina

-Olá, está tudo bem?

-Oh, mais ou menos!

O final de ano traz sempre uma vontade de renovar desejos. Passamos muito tempo a desejar muita coisa. Desde o dia 1 de janeiro que nos comprometemos com determinadas mudanças. Prometemo-nos a mudar vários aspetos da nossa vida.

Será com o afinco certo?

Será que desejamos mudar com toda a nossa força?

Inês Pina

Já provámos das mais variadas maneiras, que sempre que aplicamos toda a força, conseguimos algo. Se nos debruçarmos sobre o assunto vemos que é a força de vontade que nos faz passar de um 42 para um 36 sem muitas dificuldades. Se nos afincarmos mudamos hábitos alimentares, estilo de vida, embarcamos em exercícios e em hashtags saudáveis e por aí fora.

A força de vontade Humana é das nossas melhores armas. É ela que faz milhares atravessar a nado países, embarcar em barcos minúsculos completamente a abarrotar, trabalhar jornadas de 18 horas ou correr maratonas!

Já se sabe: quem corre por gosto não cansa!

Sim, é ela que nos faz dar o nosso melhor e o nosso pior.

Tudo por algo que desejamos.

Todos nós temos inúmeros desejos. Uns mais palpáveis que outros. Ora sonhamos com um mero carro novo, outras vezes com um Ferrari. Ora queremos um T40, ou então apenas passar de T2 para um T4. Pode ser algo material, ou algo imaterial: como alcançar uma conquista na carreira ou na vida pessoal. Há quem almeje constituir família, viver uma aventura inesquecível de mochila às costas ou simplesmente ter mais tempo.

Tudo isto existe e povoa os nossos sonhos, a nossa imaginação. Afinal, sonhar não paga imposto!

Desejar tem as suas limitações. Algumas que nos transcendem, outras que nós criamos. Há muitas coisas que nem sequer desejamos porque não sabemos que existem. Só desejamos algo que conhecemos. Os desejos têm em conta as nossas limitações, muitas das vezes económicas, culturais, sociais ou educacionais. Depois, temos os desejos bem guardados na nossa gaveta secreta aqueles que verbalizamos a custo, em jeito de desabafo…ou então não. Quantas vezes não suspiramos e entre dentes sai, um “como queria mudar de vida”; “mudar de casa”; “mudar de trabalho”.

Na verdade, estamos constantemente insatisfeitos com a nossa vida. Não há ninguém que a dado momento não reclame da vida que leve: a casa, os filhos, a família, o clube, o governo, o chefe! A maior parte das vezes remetemos muitas destas questões para a gaveta dos desejos profundos e não concretizáveis. Lá prosseguimos reclamando do dia a dia, deixamo-nos levar tornando-nos enfadonhos, amargos e carimbados com o chavão de: “como é que andas?” “Mais ou menos”.

Tudo isto, porque sabemos que para transformar um desejo em algo palpável devemos investir, aprofundar, melhorar. Dar de nós, quer seja numa relação, num trabalho, na família! Grande parte das vezes temos muito medo da resposta verdadeira, temos muito medo de avançar.

Todos sabemos que a dedicação, o investimento e o afinco dão frutos. A questão está em dar o passo. É mais fácil reclamar do que aprofundar e melhorar a situação.

Desta forma o desejo e o trabalho andam de mãos dadas.

Este é o emprego que quero ou mantenho-me nele por inércia?

Esta é a pessoa que amo verdadeiramente?

As desculpas que usamos são frequentemente dissuasoras.

Queria aprender uma nova língua…hmm mas, não tenho jeito!

Queria sair desta relação, mas….

Será?

Quantas vezes não nos acomodamos com o medo das perdas que vêm das nossas escolhas. Todas as nossas escolhas implicam perdas. Nós trabalhamos pelo que desejamos. Nós temos de saber que o que levamos desta vida, é a vida escrita por nós. Importa nunca esquecer que o prémio final do jogo, para todos, é a morte! Assim, o nosso foco não deve ser o final, mas sim o caminho.

A jornada faz-se caminhando. Somos nós o caminhante, portanto façamos valer a pena a cada passo que damos!

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