Parece que ele sim.

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

#elenão foi o movimento que foi surgindo no Brasil e por força das redes sociais se foi espalhando pelo resto do mundo.

Não sei se pelo movimento, se pelo estado em que o Brasil está, o que sabemos é que hoje Bolsonaro está a concorrer a uma segunda volta, tendo chegado aos 46%. Não é novidade nos dias de hoje. O efeito Trump, provou que tudo é possível. Já nada é certo no mundo da política. Para quem gosta deste mundo é um dinamismo interessante.

O que sabemos é que os brasileiros, tal “como muitos povos no mundo, estão fartos das políticas do costume”

O que sabemos é que os brasileiros, tal como muitos povos no mundo, estão fartos das políticas do costume, com os rostos do costume que regra geral só deixam a base da pirâmide mais pobre, desprotegida e descrente.

No Brasil a corrupção e a violência são avassaladores. Bolsonaro, é um desconhecido. Apesar de vir do sistema não está desgastado. Fala numa espécie de “papo reto” que muitos brasileiros querem ouvir.

Os brasileiros, votaram Bolsonaro por várias razões.

A economia está na lama, não há emprego, não há poder de compra. O Brasil, apesar de rico em matéria prima não é de todo uma economia pujante no mundo. Esse, carma mudou quando Lula chegou ao poder. Nessa época o Brasil parecia um país “abençoado por Deus”: com um presidente considerado pela Foreign Affairs um dos intelectuais mais importantes do século XX; um operário metalúrgico, pobre e com poucos estudos, com a capacidade de entender o mundo em que vivia e de prometer aos brasileiros aquilo a que tinham direito — “três refeições por dia”. Isto leva-nos a outro ponto.

Os brasileiros querem dar um cartão vermelho ao PT, partido que defraudou tudo e todos. o Brasil, entre 2010 e 2014, vivia a sua melhor época, quando tudo parecia finalmente possível, mesmo descontando o exagero da elite do PT (que anunciava demasiado cedo e com demasiada gula o declínio do Ocidente e a emergência do Sul, onde os mais altos voos estavam destinados ao Brasil). Nos EUA estava um Obama conciliador de um mundo global. Vivia-se um conto de fadas. Porém fui tudo por água a baixo.

Sim, veio o Lava Jato, uma espécie de série non stop onde todo o centro político ficou manchado. Não houve um só político que não tivesse envolvido num escândalo. Sentiu-se o choque. Todos caíram na real. A sala estava limpa, mas debaixo do tapete havia muita poeira.

Um elevado índice de corrupção faz dos brasileiros dos povos mais descrentes na política. Mesmo nos tempos de Lula houve um crescimento da classe média, mas em pouca quantidade e com vida luxuosa muito pouco compatível com uma classe média “habitual”. Lembra-se do descontentamento com o novo regime legal das empregadas domésticas, que encarecia o seu trabalho. Arrisco dizer que foram aí os primeiros sinais. As manifestações de 2014 a pedirem condições de vida melhores, foram ignoradas politicamente e deu-se o descalabro!

“Do alto do meu conforto europeu, não é fácil descer à realidade em que vive uma grande maioria do eleitorado brasileiro”

Do alto do meu conforto europeu, não é fácil descer à realidade em que vive uma grande maioria do eleitorado brasileiro. Não conheço o grau de violência do Rio. Nem o imagino tendo em conta a minha realidade. Não sei o que é a temer pelo futuro dos filhos. Não é fácil explicar que há um valor supremo que é a democracia, que é a forma mais segura de combater a violência e de denunciar a corrupção. É demasiado abstrato. É o mesmo que pedir a alguém que passe fome que não como MC, porque faz mal à saúde. Naquele momento aquela pessoa está a morrer de fome, acham que colesterol e açúcares adicionados são termos importantes?

Já tememos e vamos continuar a ver na europa estas ondas de “varrer os imigrantes ilegais”. Estes partidos sobem e ganham eleitorado não há custa do nosso mal-estar, mas à custa do nosso medo de perder bem-estar. É uma realidade diferente.

Neste momento Bolsonaro é uma hipótese de trabalho em cima de mesa que nunca foi testada é por aí que os brasileiros querem ir. Atenção é aos mecanismos que possam impedir o autoritarismo de avançar. O Trump tem barreiras internas criadas pelo sistema democrático do EUA. O Brasil é mais despido nesse sentido! Que venha o dia 28 onde o mundo dará mais uma volta!

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