Passeio pela Feira de S. Mateus

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Carlos Cunha: Colaborador Dão e Demo

Por: Carlos Cunha

Passeio noturno, ontem, pela Feira de S. Mateus, a seguir ao jantar. Noite quente e com pouco ou nenhum vento, propícia a sair de casa e a deixar-me perder pelo recinto iluminado e cheio de gente.

No palco principal atuavam os Minhotos Marotos, um grupo de música popular oriundo da cidade berço da nação.

Muita gente a encher a Praça e Rua do Picadeiro, alegria em palco e fora dele com músicas ritmadas marcadas pelo som das concertinas.

Não fiquei até ao fim e da Rua do Picadeiro, com iluminação decorativa de bom gosto, onde pontifica o azul e o dourado, segui para a rua das barracas das enguias que, com as suas cores garridas, fazem lembrar os tradicionais  palheiros da Costa Nova.

Como o calor abundava, paragem obrigatória na barraca dos gelados e do algodão doce. Um cone simples de morango e baunilha e segui atravessando a linha do funicular apinhada de gente e onde felizmente, que eu saiba, ainda não houve notícia de queda mais aparatosa.

Sentei-me por uns instantes num banco em frente ao Multiusos para terminar de saborear em sossego o meu gelado e aproveitei o momento de pausa para ir vendo quem passava.

Refrescado e a pedido da minha mulher, ganhei alento para entrar no Multiusos. Ainda esbocei um ténue protesto, mas nestas e noutras coisas as mulheres acabam, quase sempre, por levar a melhor.

Apreciei uma breve exposição sobre a feira dos tempos de antanho, passei pelo expositor da FNAC e ainda olhei para cima para observar umas magníficas telas, onde pontificava a temática do folclore e rematadas por quadras populares.

“Segui para o interior do pavilhão [Multiusos] e senti que estava numa sauna, apenas me faltavam o roupão e os chinelos…”

Segui para o interior do pavilhão e senti que estava numa sauna, apenas me faltavam o roupão e os chinelos, visto que o calor abafado e quase sufocante era semelhante ao das cabines forradas a madeira.

Os vários comerciantes e empresários sempre profissionais faziam o seu trabalho e esclareciam os potenciais compradores sobre  a qualidade do produto ou do serviço prestado e, apesar de toda a simpatia ninguém quer permanecer naquele “forno” mais tempo do que  o estritamente necessário.

Mas esta edição 626 da guardiã das feiras populares ficará também marcada pelo primeiro encontro com as preocupações ambientais, materializada em caixotes do lixo promotores da reciclagem e pelos copos de plástico de longa duração que vieram para substituir os copos de plástico de usar uma vez e deitar fora.

Há ainda o reencontro com o Viriato e o dia  dedicado ao linho da Várzea de Calde, marcas singulares da identidade viseense.

Outra das transformações dignas de registo ocorreu na Praça da Restauração, francamente melhor ao nível estético, do conforto e da segurança face a edições de anos anteriores.

Divirtam-se e boa feira para todos!

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