Paulo Soares: “Aeródromo de Viseu poderá ser um sucesso para a região e um impulsionador económico”.

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Paulo Soares, diretor do Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato (Foto: Dão e Demo)

ENTREVISTA COM PAULO SOARES, DIRETOR DO AERÓDROMO MUNICIPAL GONÇALVES LOBATO, DE VISEU

Tem 52 anos de idade, é natural de Lamas de Ferreira de Aves, concelho de Sátão.

Foi piloto e comandante da TAP tendo, entre outra, uma vasta formação e qualificação na área da aeronáutica e tráfego aéreo nas vertentes técnicas e jurídicas (licenciatura e mestrado em direito e licenciatura em ciências aeronáuticas).

Foi vice-presidente do INAC (Instituto Nacional de Aviação Civil, hoje ANAC, Autoridade Nacional de Aviação Civil).

Diretor da Licenciatura em Ciências Aeronáuticas da Universidade Lusófona do Porto e docente convidado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Foi também durante 3 anos o representante de Portugal em várias comissões e fóruns de aviação civil junto da Comissão Europeia.

É consultor de diversas organizações internacionais, nomeadamente em África e no Médio Oriente para a área da aviação civil.

Falamos de Paulo Alexandre Ramos de Figueiredo Soares (Paulo Soares) que desde 2015 vem desempenhando as funções de diretor do Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato, de Viseu.

Foi, pois, com o diretor do aeródromo de Viseu, Paulo Soares, que Dão e Demo marcou encontro para uma entrevista em torno do aeródromo, uma infraestrutura do município de Viseu, que, nestes últimos anos, tem tido um exponencial aumento de aeronaves e de passageiros.

Paulo Soares (Foto: Dão e Demo)

DÃO E DEMO: Como e quando surgiram as funções de diretor do Aeródromo Gonçalves Lobato, de Viseu?

PAULO SOARES: Assumi a direção do Aeródromo Gonçalves Lobato em 1 de janeiro de 2015 por convite formulado pelo Presidente da Câmara de Viseu, dr. Almeida Henriques, para executar um plano de revitalização do Aeródromo Municipal. Hoje, passados 3 anos, pela sua pujança, dinâmica operacional e pela forte aposta política da Câmara de Viseu assume-se já, por direito próprio, como uma infraestrutura aeronáutica regional de importância incontornável.

DD: Já que falou em pujança, passados 3 anos, qual o movimento do aeródromo?

Gráfico fornecido por Paulo Soares.

PS: Os dados falam por si. Voos e movimentos, segundo dados da ANAC: Em 2014 – 273; em 2015 – 1537; em 2016 – 9119; em 2017 – 10.976 [ver gráfico].

Quanto aos movimentos, importa referir que, dos 10.976 de 2017, foram 1.668 em transporte regular, 6.122 de instrução, 1.550 privados, 12 de emergência médica, 24 de cariz militar, 836 de combate a incêndios, 666 de combate a incêndio de helicópteros e 88 de trabalho aéreo.

Portanto, como se vê, temos tido os mais diversos tipos de voo, desde os de transporte regular, aos de instrução, treino, aos da aviação executiva e de lazer, passando claro pelos voos dos meios aéreos de combate aos fogos florestais, visto o aeródromo ser uma das bases principais desses meios aéreos, não só pela sua posição estratégica com pelas ótimas condições operacionais de que dispõe.

DD: Tem havido adesão por parte dos viseenses ao transporte regular Bragança – Vila Real – Viseu – Lisboa – Portimão? Os preços são competitivos?

“…a linha aérea regional é uma aposta ganha.”

PS: Em 2016, entre embarque e desembarque, tivemos 1706 pessoas e em 2017 tivemos 3008. Este ano de 2018, nos primeiros sete meses, até julho, já vamos com 1860 pessoas.

Pelos valores do crescimento exponencial de passageiros transportados de/para Viseu, nomeadamente no verão, a linha aérea regional é uma aposta ganha. Os preços foram definidos pelo governo nos termos do contrato de concessão, mas a opinião unânime é que são muito convidativos. Por exemplo, de Viseu para Portimão e volta, os preços iniciam-se nos 80,00€, de e para Cascais nos 60,00€.

Entrada do Aeródromo (Foto Dão e Demo)

DD: Qual o tempo de duração da viagem até Lisboa? E até Portimão?

PS: A viagem para Cascais demora sensivelmente 40 min e para Portimão acrescem mais 50 minutos devido à paragem intermédia exatamente em Cascais.

“Se o destino é a cidade de Lisboa garantidamente que se chega mais rápido ao centro de Lisboa via aeródromo de Cascais do que através do aeroporto de Lisboa”.

DD: Mas o facto de o avião ir para Cascais e não para o aeroporto Humberto Delgado, mesmo em Lisboa, não se demora mais a chegar ao centro de Lisboa?

PS: Nada disso. Se o objetivo é Lisboa cidade, como destino, garantidamente que se chega mais rápido ao centro de Lisboa via aeródromo de Cascais do que através do aeroporto de Lisboa.

Passo a explicar: Desde que o avião aterra em Cascais demoram-se 5 minutos a chegar ao parque de estacionamento em Cascais e em Lisboa nada menos de 15 minutos.

Depois, o operador, Aerovip, oferece, gratuitamente, basta solicitar aquando da reserva do voo, transporte do aeródromo de Cascais até ao Marquês de Pombal e vice versa, que em hora de ponta demora cerca de 25 minutos, podendo-se neste local apanhar o metro para qualquer lado. Já, via aeroporto de Lisboa, a forma mais rápida de chegar ao centro da cidade é por metro, o que, sem qualquer tempo de espera nas estações, demora até ao Marquês de Pombal, pelo menos 40 minutos.

Concluindo, do Aeródromo de Cascais temos 30 minutos e do aeroporto de Lisboa temos 55 minutos até ao Marquês de Pombal.

Vista da torre de controlo a partir da pista (Foto: Dão e Demo)

DD: E no regresso a Viseu também existe transporte até Cascais?

PS: Avisando na reserva que se pretende viajar para Viseu, poderá apanhar o mesmo transporte gratuito no Marquês de Pombal. Terá que lá estar, no Marquês, 35 minutos antes da hora do voo e entrando na carrinha já não perderá o avião, ele espera pelos passageiros que vêm no transporte disponibilizado. Já agora se fosse via Aeroporto de Lisboa, teria, como já referi um tempo de trajeto de 40 minutos de metro e as formalidades que em cascais demoram 5 minutos em Lisboa de no mínimo 15 minutos, mas com fila no rastreio é imprevisível.

“Efetivamente, Viseu poderá acolher um certo tipo de tráfego que não quer ir para o Aeroporto Sá Carneiro”

DD: Viseu tem condições para se tornar uma estrutura aeroportuária alternativa, por exemplo, ao aeroporto Sá Carneiro, no Porto?

PS: Efetivamente, Viseu poderá acolher um certo tipo de tráfego que não quer ir para o Aeroporto Sá Carneiro, porque é muito caro relativamente aos preços de operação em Viseu, porque é muito demorado e burocrático, mas principalmente porque existe mercado na região de Viseu para acolher uma infraestrutura aeroportuária de pequena/média dimensão, mas moderna e ágil sob todos os pontos de vista para ser atrativa. Não nos podemos esquecer do potencial turístico da região do Dão, das Beiras e até do Douro, já para não falar da indústria e comércio, mas em especial dos nossos emigrantes que já hoje preferem o avião para virem a Portugal.

“As atuais condições operacionais, nomeadamente o constrangimento no comprimento da pista, estão já desadequadas para as solicitações tidas”

DD: As dimensões da pista e toda a infraestrutura de apoio servem ou precisam de uma ampliação?

PS: As atuais condições operacionais, nomeadamente o constrangimento no comprimento da pista, estão já desadequadas para as solicitações tidas. Lembro que a TAP Express o ano passado já realizou 2 voos para Viseu, mas com várias restrições por causa da pista. Relativamente a outras limitações, estamos em crer que saberíamos encontrar soluções para viabilizar os voos solicitados, haja boa vontade e dedicação de todos os intervenientes.

Viata aérea da pista (Foto: Aeródromo)

DD: Qual o futuro do aeródromo de Viseu?

PS: Quanto ao futuro, sabemos que o Aeródromo poderá ser um sucesso para a região e um seu impulsionador económico, mas para isso será necessário que a Câmara de Viseu, melhor, que todas as forças vivas da região de Viseu, autarcas, empresários, comerciantes, professores, estudantes e a população em geral, se unam e reclamem a execução do Plano Diretor de Desenvolvimento do Aeródromo já em posse do Município de Viseu.

DD: Obrigado.

CURIOSIDADES DO AERÓDROMO:
Sabia que nos anos de 2016 e 2017 passaram por Viseu quase tantas aeronaves nacionais como estrangeiras?

Nos dois anos foram 272 nacionais e 265 estrangeiras. Dentre as estrangeiras, passaram aeronaves de Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, USA, Itália, Polónia, Suiça, Chipre, Bélgica, África do Sul, República Checa, Canadá, Eslováquia, Holanda, Irlanda, Jamaica, Perú, Ilha de Man, Rússia e São Marino.

(Foto: Aeródromo)

Sabia que no aeróromo existe um serviço de socorros – OSHKOSH (veículo de resgate de aeronaves e combate a incêndios), que utiliza um triplo extintor (água – 11.366 litros, espuma – 1590 litros, pó químico – 750 kgs)?

De facto existe este veíduculo e o seu débito é de 7.380 litros por minuto, o que quer dizer que, em caso de emergência, em menos de dois minutos faz a descarga total do seu conteúdo.

Sabia que o aeródromo opera 7 dias por semana do nascer ao pôr-do-sol e também tem condições para operar de noite?

Pois assim é. Para além dos sete dias por semana do sunrise ao sunset também tem condições para receber voos noturnos.

(Foto: Aeródromo)

Sabia que a TAP express já aterrou no aeródromo?

Embora com várias restrições devido à dimensão da pista, sim, a TAP express já efetuou dois voos para Viseu.

Sabia que no aeródromo existe um serviço de abastecimento de combustível para as aeronaves?

Existe e é mais barato 20% do que em Cascais e 45% do que na Maia.

PODE VER TAMBÉM VÍDEO COM UMA ESCALA EM VISEU DE UMA AERONAVE DA SEVENAIR, NUM VOO REGULAR DE BRAGANÇA PARA PORTIMÃO:

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