Pedras que falam

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Hugo Baptista - colaborador Dão e Demo.

Por: Hugo Batista (*) 

Já aqui tínhamos feito menção à ara (altar) romana, dada a conhecer pelo Professor Fernando Leitão, residente em Vila Longa, um apaixonado e conhecedor da História e Arqueologia local/regional.

O Dr. Fernando Gomes, do Município de Sátão, ciente da importância deste achado e em articulação com a câmara municipal, deliberou-se colocá-la temporariamente em exposição pública no átrio da câmara, para que todos os munícipes e quem nos visita a possa conhecer.

Esta peça será integrada na coleção arqueológica (em construção) do museu municipal de Gulfar, em Douro Calvo, junto ao Pelourinho manuelino.

“Árula (ara de pequenas dimensões) encontrada nas imediações da capela de Santiago, em Vila Longa.

Em termos decorativos apresenta três ranhuras paralelas no capitel. A parte superior deste está fraturada, pelo que não é possível conhecer como seria a decoração original, caso a tivesse.

Trata-se de uma peça grosseira, destinada a ser colocada num santuário rural, onde outros ex-votos também existiriam. Ara moldurada nas quatro faces, denota-se cuidado na gravação, com sulcos bastante acentuados.

Documento elucidativo do culto da divindadade Bamdi, também testemunhado nas proximidades: Bandi Oilienaico, em Esmolfe (Penalva do Castelo) e Bandi Tatibeaico, em Queiriz (Fornos de Algodres).

Pelo tipo de letra e pela tipologia, este monumento é datável da 1ª metade do século I da nossa era.”

(Texto construído a partir do Ficheiro Epigráfico, suplemento da revista Conímbriga da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 181-2019, 678- Árula votiva Bidoeco (conventos Scallabitanus), por José d´Encarnação e Jorge Adolfo Meneses Marques).

(*) arqueólogo (hugosatao@gmail.com) – www.facebook.com/arqueosatao

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