Penalva do Castelo | Ponte medieval de Trancozelos vai ser palco de concerto multissensorial

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Ponte medieval de Trancozelos (Foto: Amadeu Araújo)

“Pontes perenes sobre águas temporárias”, assim se chama o espetáculo multissensorial da Binaural/Nodar que vai ter lugar na ponte medieval de Trancozelos (Penalva do Castelo) no sábado, dia 15 de setembro, às 18h00, com as seguintes coordenadas geográficas: 40.658379, -7.704226.

A direção artística é de Luís Costa, a composição sonora de Rui Costa, o apoio cenográfico e documentação audiovisual de Liliana Silva e a participação especial da Banda Musical e Recreativa de Penalva do Castelo e Rancho Folclórico de Penalva do Castelo.

“Pontes perenes sobre águas temporárias” é um projeto da Binaural/Nodar, na forma de concerto multidisciplinar de ativação multissensorial e antropológica de pontes do território de Viseu Dão Lafões, usando todo o contexto envolvente, as características arquitetónicas das pontes e histórias locais para gerar experiências únicas e irrepetíveis.

O primeiro espetáculo de “Pontes perenes sobre águas temporárias” decorrerá nas margens do rio Dão junto à ponte de Trancozelos (freguesia de Trancozelos, município de Penalva do Castelo) no sábado 15 de setembro pelas 18h00, no contexto do qual serão ativados os sons da paisagem envolvente, serão contadas histórias locais da ponte e será feita uma homenagem à forte tradição musical do concelho, com a presença de músicos locais, entre os quais membros da Banda Musical e Recreativa de Penalva Do Castelo e do Rancho Folclórico de Penalva do Castelo.

O RIO DÃO, A PONTE DE TRANCOZELOS E O MOSTEIRO DO SANTO SEPULCRO

O rio Dão é um típico rio beirão, nascido nos planaltos de Trancoso e Aguiar da Beira e desaguando na margem direita do rio Mondego, fazendo o seu percurso no sentido Nordeste-Sudoeste, atravessando ou demarcando os concelhos de Aguiar da Beira, Penalva do Castelo, Mangualde, Nelas, Viseu, Carregal do Sal, Tondela e Santa Comba Dão. No seu vale, zona de altitude com solo granítico, situa-se a Região Demarcada do Dão, da qual se destaca a produção dos afamados vinhos que elevam a vitivinicultura da região de Viseu aos mais altos patamares de reconhecimento.

A ponte de Trancozelos é uma ponte de origem medieval totalmente construída em granito cujo tabuleiro assenta em dois arcos de volta perfeita assentes em pilar protegido por talhamar triangular, a montante. O tabuleiro possui pavimento lajeado, mantendo, em algumas zonas, as guardas plenas em cantaria, surgindo, para jusante, duas gárgulas para escoamento das águas pluviais. Prolongando-se em pequena distância para um dos lados, o provável troço da antiga via. Do lado noroeste da ponte implanta-se um nicho composto por blocos em cantaria de granito aparente com a seguinte inscrição:

MANDOV / FAZER . O . S . D . N . EESTE NIXO THOME / MELO DE CAMPOS FALCAM DE LIZEI / ÇARGENTO MOR DESTE CONCELHO / 1735 / ESMOLAS P. AS / MISÃS DAS ALMAS

Sabemos, assim, que o nicho foi mandado fazer por Tomé Rebelo de Campos Falcão, de Lizei, Sargento-Mor do concelho, em 1735. As esmolas eram para missas das almas.

Sabe-se que em 9 de Janeiro de 1729 o mestre pedreiro Pascoal Gonçalves Guerreiro tomou, em sociedade com António Ribeiro, a obra da ponte, não estando a mesma concluída em 1732 por falta de oficiais requisitados para as obras do Convento de Mafra, segundo o pároco da altura.

A ponte dava acesso à margem esquerda do Dão, servindo não só o Mosteiro do Santo Sepulcro, como também as aldeias de Trancozelos e Trancozelinhos e o acesso à freguesia de Germil e Real, e daqui à estrada real Viseu-Guarda, que passava por Quintela de Azurara.

A fundação do Mosteiro de Santo Sepulcro, o primeiro da Península Ibérica desta ordem canónica e militar, deve-se à iniciativa de D. Teresa e remonta ao início da nacionalidade. O mosteiro e a povoação, que então passou a ser denominada por Vila Nova do Santo Sepulcro, cresceram durante as centúrias seguintes, beneficiando dos bens que lhe foram sendo doados. A este ciclo positivo sucedeu um outro, de decadência, que conduziu o mosteiro à dependência da Comenda de Sezures que, em 1492, ainda mantinha a ligação à segunda casa da Ordem do Santo Sepulcro, sediada em Águas Santas. Todavia, uma bula pontifícia de 1489 ordenara já a união do mosteiro do Santo Sepulcro à Ordem de Malta, razão pela qual se observam várias cruzes, características destes cavaleiros, na antiga cerca monástica. Com a extinção das ordens religiosas, em 1844, a propriedade foi adquirida pelos Albuquerque, da Casa da Ínsua.

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