Penha Garcia

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Por: Carla Ferreira (continuandoaprocura.com)

#Continuando à procura de lugares extraordinários, Penha Garcia é uma aldeia impressionante, quer pela sua posição, no cimo das cristas quartzíticas da serra com o mesmo nome, quer pela beleza das lindíssimas casas típicas, protegidas pelas imponentes muralhas, becos e ruelas sinuosas, um local que quase dispensa palavras, um dos mais bonitos de Portugal, digno de um postal ilustrado.

A vista deslumbrante que rodeia a vila, a originalidade do seu castelo, empoleirado no cimo da penha, e as marcas que a natureza e a história deixaram, as lendas e as tradições, encantam este lugar.

A aldeia de Penha Garcia, localiza-se no concelho de Idanha-a-Nova, e é muito rica em vestígios romanos e pré-históricos. As suas origens perdem-se no tempo.

Entrando na aldeia, a praça onde está um tanque de guerra, em homenagem aos combatentes do Ultramar e ao 25 de Abril, funciona como ponto de partida para explorar a aldeia. A partir daqui inicia-se uma subida pelas ruas íngremes da aldeia.

O Posto de Turismo está instalado numa antiga casa recuperada pela autarquia, atualmente serve como museu é sempre um local útil para obter informações sobre os pontos de interesse a visitar. Ao lado, está a Capela do Espírito Santo, com fachada assimétrica e arco gótico da capela-mor atestam a antiguidade da mesma. As ruas sinuosas apresentam muitos exemplares interessantes da arquitetura tradicional da aldeia, com casas construídas na pedra ruiva da região, o quartzito, algumas com pormenores bem interessantes, como os balcões e os lintéis das portas e janelas.

No centro da aldeia está o Pelourinho, datado do reinado de D. Sebastião, com capitel de recorte jónico, com as armas nacionais e com cinco flores de lis. Ao cimo da encosta, a Igreja Matriz de meados do século XX, mantém alguns elementos de uma estrutura anterior, com especial destaque para a grande pia batismal que se encontra no adro.

Bem no cimo da aldeia encontra-se o Castelo, de onde se pode apreciar uma paisagem arrebatadora, inesquecível mesmo, com vista privilegiada sobre o profundo recorte do vale do Ponsul, onde estão o vale, a barragem e os moinhos de rodízios.

Este geomonumento preserva inúmeros vestígios do que foi a vida neste lugar há 480 milhões de anos, quando estas cristas quartzíticas eram um imenso mar. Tempos em que a região estava próxima do Pólo Sul e reinavam trilobites e seus predadores, num impressionante mundo de biodiversidade aquático. Hoje é o “berço” do Geopark Naturtejo, o 1º português, da Rede Mundial de Geoparques da UNESCO.

Em Penha Garcia, o património também é musical, com selo da Rede de Cidades Criativas da UNESCO. Aqui está viva a memória da cantadeira e adufeira Catarina Chitas e do “último” tocador de viola beiroa, Manuel Moreira, inspiração para uma oficina que resgatou o instrumento da extinção.

A partir do castelo inicia-se um fabuloso percurso pedestre em direção ao rio, percorrendo a Rota dos Fósseis. Ao acompanhar as margens refrescantes do Rio Pônsul, pode-se ver de perto as casas tradicionais, o seu interior, os moinhos de água e ainda a chamada casa dos fósseis a meio do percurso.

Um dos maiores tesouros da povoação encontra-se, portanto, nas rochas quartzíticas com 490 milhões de anos. No tempo em que todos os continentes estavam unidos em torno do Pólo Sul, os mares eram habitados por organismos invertebrados que se deslocavam nos substractos areno-argilosos, deixando marcas. A essas marcas, que ficaram preservadas nas rochas sedimentares e são visíveis ainda hoje em Penha Garcia, o povo chama-as cobras pintadas e os cientistas icnofósseis.

Quase no final do percurso, está a fabulosa Praia Fluvial do Pego. Há quem a chame de piscina natural, há quem diga que se trata de uma praia fluvial. Com uma pequena queda de água entre as “montanhas”, está limitada por alguns muros de pedra, um local deslumbrante, paradisíaco mesmo.

Na gastronomia tradicional, há a destacar o ensopado de cabrito, sopa de grão com massa, gaspacho, migas, prova de chouriço à moda do raiano, ensopado de javali, queijo fresco e curado de cabra, de mistura e de ovelha.

No que diz respeito ao Artesanato evidenciam-se os Adufes, as cobertas de trapos, as rendas, os trabalhos em madeira, a cortiça e o ferro, as rodilhas e os cântaros.

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