Quanto vale uma família

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Tenho centenas de primos, uma carrada de tios e nenhum deles vale nada! Uma família que não tem aquele je ne sais quoi. Nada de boas influências, tudo um bando de trabalhadores focados em fazer carreira apenas, imagine-se, com a força do trabalho. Só têm habilidade para jantares e almoços de família onde se sacam umas músicas e umas histórias embaraçosas de infância. Não há aquele sussurrar em surdina de oportunidades de nomeações ou de negócios. Com aquele toque final de “está descansado que eu trato disso”.

Bem dizem que a família não somos nós que escolhemos.

Agora há por aí certas famílias, que essas sim, valem a pena. Gente que trabalha em prol dos que ama! São como o Ronaldo ficam bem na vida, mas não esquecem as origens por isso, levam atrás os seus. Até fica mal uma pessoa subir na vida e não dar um empurrãozinho ao primo António que é bom rapaz, só teve foi azar nos estudos e não ficou muito bem. A frase que se segue ler por favor com sotaque de tia de Cascais “Ai faça lá o jeito que depois nos almoços de domingo é uma maçada, o menino estar lá no topo e o priminho, coitado, apenas a trabalhar no escritório das nove às cinco a ganhar aquele misero ordenado de assalariado”.

Todos nós sabemos como são os almoços de família. Tudo a querer saber como vai a vida, todos sentimos necessidade de contar grandes feito. Portugal é assim um país de família à mesa, de jovens que ficam em casa dos pais até tarde. Somos diferentes dos nórdicos, que usam o domingo para ir visitar museus, nós queremos é um leitão em cima da mesa e um almoço pela tarde dentro. Nada de errado. Errado é essa tradição ter ido parar ao governo. Só para que conste o caso já ecoa fora. Aparentemente estão 20 famílias, contabilizando-se 50 pessoas com ligações diretas. Hmm cheira a nepotismo?

Eu entendo a maçada que é arranjar horário para visitar toda a gente, por isso o mais fácil é reunir na assembleia com a famelga. Atenção aqui ao rentabilizar de tempo. Ministérios felizes, tudo a trabalhar com quem mais ama. Ou então não. Deve ser por isso que não andamos para a frente, toda a gente sabe o perigo que é trabalhar com a família.

Claro que já houve demissões. Começa-se pelos primos, que custa menos. Aos outros fazemos declarações de amor e abrimos o jogo mostrando o excelente percurso profissional. O que se passa é que se demitem os nomeados, não quem nomeou! Quem tinha de cumprir a famosa ética foi quem exercia um cargo com o nosso voto.

O mais alarmante é que mal tudo isto veio a público sentiu-se um discurso “de qual é o mal?” “são pessoas com competência”.

Depois o discurso tímido da oposição. Ah e tal uma vergonha este governo, têm de mostrar cartão vermelho nas urnas! Ou melhor laranja! Não se trata de legislação, isto tem a ver com ética. Tudo um tanto ao quanto com aquela máxima de que todos temos telhados de vidro, mas se é o do vizinho está a estilhaçar, menos mal.

Tão acabrunhados os nossos deputados estavam. Que Marcelo (que não tem competências de legislador) lança uma proposta. Pois, que se não há ética que se faça uma “pequenina” e “simples” alteração à lei. Pronto que tal proibir nomeações familiares até ao 4º grau?

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