“Que viva México!”

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Abílio Travessas: Colaborador Dão e Demo - jornal digital

Por: Abílio Travessas

Domingo à tarde [17 de junho] via o Alemanha/México e uma 1ª parte que foi um prazer para os que gostam de futebol. Duas culturas reflectindo mentalidades diferentes na interpretação do jogo, imaginativo, habilidoso, tecnicista o mexicano contrabalançando o maior poder físico alemão, futebol mais prático e rectilínio.

De repente os meus olhos fixaram-se num livro na estante, mesmo por cima da televisão, México Insurrecto, uma boa imagem do que se passava neste confronto. O autor do livro, John Reed, norte americano, jornalista do The American Journal, ficou conhecido pelo relato da Revolução Russa de 1917 em Dez dias que abalaram o mundo, “onde teve a consciência da importância daqueles dias onde colegas seus viram simples lutas entre partidos russos”. J. Reed foi um correspondente de guerra no México, em revolta desde 1911, “sobrevivendo sempre no interior das forças hostis; aprendeu o ofício de escritor, escrevendo no decurso da sua aventura humanista, consequência do seu ideário socialista que sempre abraçou”. Esteve cinco meses no México apoiando as ideias de Pancho Villa, famoso revolucionário mexicano. México Insurrecto é um relato da Revolução Mexicana “a primeira  grande revolução do século 20, que transformou radicalmente, após tantos anos de repressão, as estruturas políticas e sócio-económicas do país.”A sua popularidade nos Estados Unidos era semelhante à do famoso Jack London – de quem acabei de ler O Apelo da Selva – um escritor cuja vida se pode desfrutar na biografia A Vida Aventurosa de Jack London.

Regressemos ao jogo. Logo no início, uma falta assinalada contra a Alemanha levou ao protesto dum jogador bem conhecido, a jogar no Real Madrid, Tony Kroos que tentou intimidar o árbitro, um iraniano, quase lhe encostando o peito. Sereno mas determinado em impôr a autoridade, o persa pôs-lhe a mão no peito e afastou-o até à extensão total do braço. Não mais alguém protestou contra alguma decisão deste árbitro, o melhor que vi até agora, à altura da qualidade do futebol e dos intervenientes.

À 1ª parte só faltaram mais golos ao jogo quase perfeito dos azetecas tantas as oportunidades criadas em contra-ataque. Depois advinhava-se o desgaste que levou à cavalgada teutónica sobre a baliza dum inspirado guarda-redes que levou ao desespero os apoiantes da Manschaft.

São estes jogos, que aliam a intensidade, a técnica dos executantes e a imprevisibilidade do resultado, que deixam o adepto de alma cheia; e perdeu a favorita, contrariando a máxima o futebol é um jogo de onze contra onze e no fim ganha a Alemanha.

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