Quim Barreiros: Ele continua a andar por aí! Fomos ouvi-lo a Penalva do Castelo.

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Texto: Acácio Pinto

O segundo dia da feira do Pastor e do Queijo, dia 10 de fevereiro, domingo, em Penalva do Castelo, ficou marcado por uma enchente. O responsável foi também o Quim Barreiros.

A tenda gigante que a câmara municipal montou na praça Magalhães Coutinho, em frente à igreja da Misericórdia, foi pequena para albergar tanto público que ali se quis deslocar, com certeza, por causa do queijo Serra da Estrela, mas neste domingo, a responsabilidade da enchente muito se deveu também a Quim Barreiros.

E a primeira nota a registar é que, ao contrário do que habitualmente acontece, o espetáculo que estava aprazado para as 16:00, começou a horas. A speaker de serviço começou a anunciá-lo e o público, desde logo, a clamar pela sua entrada.

Depois foi um desfiar de canções e de mais canções. Foi o Quim Barreiros no seu melhor. Aquele que sobe ao palco e desde o primeiro até ao último minuto toca, canta e encanta os presentes. Miúdos e graúdos, ninguém fica indiferente. Homens e mulheres, ninguém deixa de esboçar um sorriso, ou de dar uma gorda gargalhada ante mais uma das suas frases calejadas de boa disposição.  

“Qualquer dia vai estar na minha terra”, dizia-nos um homem ao nosso lado. “Vai estar em Sangemil”, rematou.

E no palco o Quim Barreiros, com o seu chapéu preto, de aba larga, dava os primeiros acordes, como que a testar a afinação do instrumento que o acompanha desde sempre.

E sem delongas, dois ou três acordes tocados, sai a primeira canção antecedida da pergunta: “qual é o melhor dia para casar?”

E a festa começa. Começou aí. Os sons soltam-se e o público dá mostras do entusiasmo que o atravessa. As pessoas acotovelam-se, riem-se e trauteiam as canções, enquanto o artista canta ou se cala e pede que o público complete uma rima que está mesmo a ‘pedi-las’!

E as canções brotam, uma a uma. Todas encadeadas numa teia que não mais se desfaz. É o “bolo do caco com muita manteiga d’alho”, são “os bichos da fazenda”, sim, é também “a garagem da vizinha”, é “o pito mau” e eu sei lá que mais!

É um sem-fim de canções, interligadas, a serem debitadas sempre em alta voltagem! Sem parar! Sem descanso!

As piadas, foram bastantes, como não podia deixar de ser. Mas sempre sintéticas, e nenhuma para, como se diz na gíria, “encher chouriços”. O espetáculo é permanente, o profissionalismo é total. O artista “não brinca em serviço” como dizia um senhor que veio de Sezures, para o ouvir ao vivo!

Está claro que o homem do acordeão, da voz, o Quim Barreiros, é a locomotiva de todo este “comboio que foi sempre a apitar”, como diz uma das suas canções, mas a banda, os quatro músicos que o acompanharam, não foram de somenos. Uma retaguarda sempre presente! Um todo superior à soma das partes.

Quanto ao mais, bom, se não teve oportunidade de o ir ver e ouvir na 28ª Feira do Queijo, de Penalva do Castelo, esteja atento aos seus espetáculos, pois, para além de Sangemil, também em Penalva do Castelo, ele vai andar por aí! Literalmente, por aí, seja no interior do litoral, seja no interior do interior, onde quer que seja, ele, se já não esteve, vai estar!

Parabéns, Quim Barreiros!

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