Rebanhos vão mondar as vinhas e acabar com os herbicidas | Investigação da UA e Escola Agrária de Viseu

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(Foto: Jornal UA online)

Depois das cabras sapadoras estão aí os rebanhos mondadores.

É isso mesmo, as ovelhas vão efetuar a monda das vinhas e dos pomares e assim evitar o uso de herbicidas para combater as ervas a vegetação infestante, através da utilização de uma coleira que vais “ensinar os animais a comer só as ervas daninhas”.

Esta é a conclusão de uma investigação que está a ser desenvolvida pela Universidade de Aveiro e pela Escola Superior Agrária de Viseu, no âmbito do projeto SheepIT, coordenado por Pedro Gonçalves e de que fazem também parte “um vasto grupo de investigadores da UA entre os quais José Pereira, Miguel Nóbrega e Paulo Pedreiras e do IPV, António Monteiro, Fernando Esteves, Catarina Coelho, José Manuel Costa e Pedro Rodrigues”, segundo revela o jornal UA online.

Para chegarem a tal condicionamento dos animais os investigadores “desenvolveram uma coleira eletrónica que, quando colocada em cada um dos animais, faz com que ovinos e caprinos se concentrem nas ervas daninhas e que deixem em paz frutos, folhas e ramos de videiras e árvores”.

“O método oferece grandes vantagens não só aos produtores como ao meio ambiente: elimina o uso de herbicidas para queimar ervas infestantes, os terrenos deixam de ter a necessidade de serem arados várias vezes por ano e a fertilização dos solos passa a ser feita de forma natural. Evita ainda que os resíduos dos herbicidas possam contaminar os frutos e o vinho, como acontece atualmente, apesar dos cuidados dos produtores. E porque todos estes processos são realizados por máquinas agrícolas, o suprimento destas permitiria poupar nos combustíveis fósseis”, revela aquele jornal.

Testes revelam-se um sucesso

O jornal revela que esta investigação está a ser “desenvolvida no âmbito do projeto SheepIT por docentes da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, da Escola Superior de Tecnologia de Águeda – uma das quatro escolas politécnicas da UA – do departamento de Electrónica Telecomunicações e Informática e do polo do Instituto de Telecomunicações (IT) da Academia de Aveiro, o sistema inclui uma coleira eletrónica acoplada ao pescoço dos animais que tem como função a monitorização e condicionamento da respetiva postura corporal”.

O sistema desenvolvido na UA monitoriza e condiciona a postura corporal do animal sem lhe causar qualquer tipo de dor

“A coleira emite um conjunto de avisos sonoros de forma a avisar o animal que excedeu a altura máxima calibrada. Os sons antecedem a emissão de estímulos eletrostáticos que incomodam o animal sem lhes causar qualquer tipo de dor”, explica Pedro Gonçalves, revela o UA online. Assim, explica o coordenador do projeto SheepIT, e de forma a evitar o incómodo, “ao fim de muito pouco tempo os animais começam a evitar a postura infratora quando ouvem o som” deixando as videiras e as árvores de fruto em paz e dedicando-se exclusivamente à pastagem do solo. Para além de rápida, a aprendizagem mantém-se mesmo ao longo de vários meses.

O jornal refere ainda que “a coleira encontra-se integrada numa rede de sensores que permite também a monitorização da atividade e localização animal, assim como o envio dos dados agregados para uma aplicação residente na cloud”. Estes dados, aponta o investigador, “ajudam a prever, por exemplo, as necessidades de alimentação suplementar animal, detetar doenças preventivamente, detetar cios e antecipar partos”.

Monda animal de regresso

Finalmente o jornal refere à monda animal que diz estar de regresso, referindo que “a utilização de animais no controlo do crescimento vegetacional – tradicionalmente conhecida como monda animal – é um método bem conhecido na agricultura. Contudo, foi sendo abandonado devido ao surgimento de um sem número de máquinas agrícolas e herbicidas, assim como pela perda de competitividade do setor pecuário”.

Contudo, explica Pedro Gonçalves, “com o aumento da preocupação ambiental e das necessidades das empresas vitícolas do Douro, onde a mecanização dos processos é muito difícil devido ao relevo, o interesse voltou a surgir”.

O jornal UA online especifica que “as coleiras foram já testadas nas vinhas da Escola Superior Agrária de Viseu e da Adriano Ramos Pinto, S.A., e encontram-se em processo de industrialização a realizar pelo parceiro industrial do projeto (GLOBALTRONIC, Eletrónica e Telecomunicações, S.A)”. “Estes testes têm vindo a confirmar a eficiência do método de monda animal, mantendo a segurança das produções assim como o necessário bem-estar dos animais”, congratula-se o investigador.

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