Revitalização da sêmea e broa de Vildemoinhos

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Foto: http://porviseu.blogs.sapo.pt

Por: José Carreira

Foi com uma emoção especial que estive, na qualidade de Presidente das Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal e Serviços Municipalizados de Viseu (Entidade Coordenadora Local da Parceira do CLDS 3G Viseu Igual) em Vildemoinhos, na abertura do Curso de Formação Ação “Revitalização da Sêmea e Broa Trambela”, que tem como objetivo capacitar pessoas para a confeção destes produtos tradicionais e garantir a continuidade geracional destes saberes e sabores de outrora.

José Carreira – colaborador Dão e Demo

A iniciativa tem enquadramento na execução do Plano de ação do CLDS 3G Viseu Igual (Eixo 1) (Projeto cofinanciado pelo POISE, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Social Europeu) e visa contribuir para potenciar a economia local através da criação de circuitos de produção, divulgação e comercialização de produtos locais, pela sua revitalização e valorização.

A identificação da Sêmea e da Broa de Vildemoinhos, como produto alvo desta intervenção, resulta de um trabalho concertado entre entidades parceiras, especialistas e população local, sem as quais não seria possível dar este passo. Agradeço a presença do Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Viseu e Presidente do CLAS Viseu, Dr. Joaquim Seixas, do Sr. Presidente da Freguesia de Repeses e São Salvador, Sr. José Coelho, do Sr. Diretor do Curso de Qualidade Alimentar e Nutrição da Escola Superior Agrária de Viseu, Dr. Fernando Gonçalves, do Dr. Alfredo Simões, como especialista convidado.

Na pessoa da Coordenadora do CLDS 3G Viseu Igual, Dra. Ana Condeço Simões, um grande obrigado pelo trabalho desenvolvido pela equipa do projeto.

Foi um momento especial que me avivou algumas memórias familiares. Sou filho e sobrinho de padeiros. Recordei com saudade a volta que fazia com o meu pai para distribuir o pão, de porta em porta. Adorava fazer os trocos numa caixa de madeira com separadores para as notas e moedas de escudo. O livro dos fiados, o sabor do bolo-rei, o moinho e depois a fábrica da farinha…

Como estímulo para todas as pessoas que acreditam neste projeto, levei o livro de Heinrich Eduard Jacob, que considero fantástico, “6000 anos de pão” e li um poema hindu, incluído nas 600 páginas que o compõem e narram a história do pão “Da Pré-história até ao colapso do III Reich, passando designadamente pelo Egipto, pela Grécia, pelo Império Romano, pela Idade Média,  pelas Guerras dos Camponeses, pela colonização do continente americano, pela Revolução Francesa, pela Revolução Industrial, pela Revolução Soviética e pelas duas Guerras Mundiais do século XX.”

Pelo pão, o mercador vai longe, altas horas.

Pelo pão, de porta em porta vai o pedinte.

Pelo pão, o marinheiro engole o sal do mar.

Mundo acima, mundo abaixo – assim houvesse pão que nos bastasse.

 

O grou selvagem, ingénuo, atira-se contra a rede,

Engodado por pão. A fome não conhece leis.

Por pão, morrem na batalha o soldado e o marechal.

Por pão, o mineiro desce ao poço fundo.

 

Onde houver gente a trabalhar, trabalha por pão.

 Casa sem pão é o lar da miséria.

Onde pão houver, reina o salário do entendimento.

Onde não houver, guerreiam pai e filho.

 

Mulher, criança e templo, vida piedosa, morte doçura:

Das melhores coisas, a melhor será sempre o pão.

[De um poema hindu (In 6000 anos de pão, Heinrich Eduard Jacob, Antígona)]

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