Rota do Míscaro: Da subida dos mortos na Fraga à descida vertical para o Sadouro, venha o diabo e escolha!

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(Foto: Dão e Demo)

Por: Acácio Pinto

Míscaros só, mesmo, no final para aqueles que quiseram ficar para o arroz de míscaros depois dos 18 km de caminhada serra fora.

Por: Acácio Pinto

Antes, porém, houve que dar ‘corda aos sapatos’. É que o percurso era bem longo e manhoso!

A abrir, para enganar os incautos, uns quilómetros, planos e em asfalto, ali até à ponte do Vouga, na Carrasqueira. Logo após, passou-se para a terra batida mas ainda trajeto sem dificuldade.

A coisa não estava mal. É bem verdade que os mais afoitos e capazes já avançavam, relativamente ao pelotão, mas nenhum problema de maior, embora o mau agoiro já se começava a perceber quando lá adiante, na encosta, o convento, o da Fraga, nos olhava de soslaio e com um sorriso no canto.

E o mau agoiro começou a cumprir-se. Foi na subida dos mortos, logo depois do Santo Cristo. Nada fazia prever aquela complicação. Até tivemos ali uns 100 metros de descanso.

(Foto: Dão e Demo)

Mas ali sim, ali percebeu-se o logro em que nos meteram. Para os mortos não seria tarefa difícil, mas para os vivos de ontem que os levavam às costas, e a para os vivos de hoje ali abandonados ao seu destino, aquilo era mais ou menos um inferno sem fim.

Subida e mais subida, pedras soltas e areias movediças, tudo a puxar para trás. Para a frente só mesmo a crença de que o São Matias estaria lá acima à espera. Mas o que era facto é que aquele quilómetro e meio nunca mais acabava nem o santo aparecia. Pelo menos para mim.

Que inveja tive daquela meia dúzia de colegas que deixei de ver logo na primeira curva da subida.

Pela velocidade com que subiram… tiveram que ter uma ajuda divina. Foi de certeza o Santo Cristo e o São Matias que se uniram para os ajudar, tramando-me a mim!

Pronto, mas lá cheguei ao estradão do alto e dali até ao São Matias foi sempre a abrir.

Mas novo problema estava para surgir. Agora com São Matias atrás, aquilo era uma descida vertical para o inferno. E ali, quando precisávamos que o santo nos amparasse, ele não o fazia, ao invés empurrava-nos mais e mais. Valha-nos que, pese embora umas escorregadelas e uns prenúncios de quedas, nos apareceu o Sadouro e voltámos ao paraíso até ao Convento.

Mas o raio da rota ainda tinha mais uma. Mais uma picada íngreme, entre muros, até Vila Boa. E, de facto, não foi pera doce fazer aquela subida, depois de cerca de 14 km de desgaste.

Poldras no rio Vouga, Trabulo (Foto: Dão e Demo)

Porém, ao cimo chegados, mais nenhum perigo se divisava no horizonte. Só mesmo as poldras do Trabulo para colocar à prova o equilíbrio dos caminheiros.

Bom, depois, foi o Nosso Senhor dos Caminhos que nos valeu, ele também conhece as nossas devoções! Surgiu-nos ali à frente e baixou a bandeira xadrez!

E se para os primeiros 2h40m foi uma excelente marca para muitos outros 2h55m, ou 3h30m ou seja lá qual tempo foi, foi um bom tempo. Cada um caminhou como quis, o melhor que pode e a distância que entendeu. Para uns 18, para outros 12km.

Às 13:00, porém, aí comeram todos por igual, embora os de 18km merecessem dose reforçada!

Venha a próxima Rota do Míscaro!

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