Sátão | Quem é Hermínio Ferreira, o doador da coleção de pintura naïf à câmara municipal?

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Hermínio Marques Ferreira (Foto: Dão e Demo)

Texto: Acácio Pinto

Nasceu nas Pedrosas, Sátão, há 74 anos e, neste momento, reside no Paço, junto a Lamas, em Ferreira de Aves, numa casa que remonta aos primórdios da fundação de Portugal e que está inserida numa extensa quinta agrícola e florestal.

Falamos de Hermínio Marques Ferreira, com quem conversámos a propósito da doação da coleção de pintura naïf que efetuou à câmara municipal de Sátão.

Aos 23 anos era assistente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Licenciado em Economia, pela Universidade do Porto, Hermínio Ferreira, foi convidado aos 23 anos, logo após a licenciatura, para “assistente na respetiva faculdade”, no Porto.

Hermínio Marques Ferreira (Foto: Dão e Demo)

Depois rumou a Lisboa onde passou pelos gabinetes ministeriais e onde foi professor na Universidade Católica, tendo lecionada a cadeira de Economia das Empresas e chegando mesmo a ser o diretor da Faculdade, nos anos 80 do século passado, onde se lecionavam as áreas da economia e da gestão de empresas. Ali foi contemporâneo de Cavaco Silva, que também lá lecionou, e de Sousa Franco, que Hermínio Ferreira foi substituir.

Sobre a sua preferência pela área da gestão disse-nos, com um sorriso, que enquanto “para a economia há sempre uma desculpa (ou o tempo, ou a conjuntura) para a gestão não há desculpa”.

Foi diretor da Faculdade de Economia da Universidade Católica e criou a CISF com os melhores alunos da Católica.

Mas a sua atividade não se ficou só pela docência aos futuros economistas e gestores que passaram pelos bancos da católica. Hermínio Ferreira avançou em 1984 para a “criação de uma empresa com os melhores alunos da católica”, a CISF (Companhia de Investimentos e Serviços Financeiros) cujo êxito foi reconhecido nacional e internacionalmente e que esteve na origem de vários instituições financeiras, algumas ainda hoje a operar.

E foi com orgulho, percebeu-se, pese embora a sua ilimitada humildade, que nos referiu diversos artigos de jornais internacionais, como o Financial Times, elogiosos para o trabalho desenvolvido pela CISF, uma empresa de sucesso.

E quando questionado sobre a sua predileção pela pintura naïf, Hermínio Ferreira respondeu prontamente, “sabe, eu sou um bocado naïf”. E foi aqui que fizemos uma visita às salas do Paço e à torre, onde ainda estão expostos vários originais de pintores consagrados portugueses bem como diversas peças de arte.

Comprou a maioria dos quadros no salão internacional de pintura naïf do Estoril.

Quadro de pintura naïf da coleção de Hermínio Ferreira (Foto: Dão e Demo)

Sobre a aquisição dos quadros agora doados, Hermínio Ferreira referiu-nos que foram “quase todos comprados no salão internacional de pintura naïf do Estoril, que este ano assinalou a 38ª edição. “São na sua maior parte de pintores portugueses e espanhóis, mas também há da Europa de Leste e da América Latina”, especificou.

Quanto ao número de quadros doados, Hermínio Ferreira disse-nos que são mais de cem e que tem uma “listagem com as fotografias de todos eles”.

E qual o objetivo da doação da casa solarenga das Pedrosas também à autarquia?

Um quadro de pintura naïf da coleção de Hermínio Ferreira (Foto: Dão e Demo)

Aqui o nosso interlocutor fez questão de dizer que aquela “foi a casa onde nasci” e que ela destina-se a museu, para lá serem expostas as obras agora doadas, pretendendo que o futuro museu, depois das obras de adaptação “esteja aberto para as pessoas visitarem”.

Já no final da nossa conversa não resistimos em querer saber qual o motivo que o levou a colocar um ponto final na sua atividade profissional tão cedo, ainda nos anos 90, como nos referiu.

“Foi por vontade própria. Achei que devia terminar a minha atividade cedo e viver o resto do meu tempo de uma forma recatada”, explicou-nos. “Sabe, eu nunca gostei de andar nas páginas dos jornais. Sempre preferi passar despercebido”.

E antes de nos despedirmos ainda mais dois pormenores que nos deixou e que revelam o seu apego à terra natal e o seu lado filantrópico: a recente doação de uma casa nas Pedrosas com a finalidade de lá ser construída uma obra social e a doação de uma outra casa nas Pedrosas, inaugurada em 2013, onde funciona a casa mortuária no rés do chão e salas de formação e de catequese no 1º piso.

E foi com um sabor delicioso que nos despedimos do nosso interlocutor, um conversador nato, que tantas e tão interessantes histórias, para além do que precede, nos contou. É evidente que não as contamos aqui pois muitas delas referem-se a altas figuras da política e da finança ainda no ativo.

Obrigado.

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