Ser MULHER

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Vítor Santos - colaborador Dão e Demo.

Por: Vítor Santos

Dia 7 de Março, dia de luto nacional pelas mulheres assassinadas. Trata-se de um acto simbólico de sensibilização da sociedade portuguesa para o flagelo da violência contra as mulheres. Vivemos, ainda, numa sociedade machista. As mudanças de mentalidades demoram imensos anos e a da igualdade entre os géneros muito mais.

A história da humanidade relata que as mulheres foram dominadas pelos homens. Assim sendo, a dominação decorria de uma cultura que com uma tradição secular e, por isso, imutável. Deviam todos conformar‑se com tal realidade, mesmo não a aceitando, como era o caso de muitas mulheres.

A verdade é que a mulher já ocupa qualquer cargo e exerce profissões que antes só aos homens era permitido. Apenas os cargos de topo na atividade bancária ou de grandes grupos empresariais parecem ser as exceções – pela negativa.

As quotas para as eleições de cargos públicos já deviam estar abolidas – deviam ser algo do passado. Um mal necessário que hoje devíamos poder dispensar. O Ensino Superior é, na sua maioria, frequentado por mulheres que adquirem as mesmas competências que os homens e vão entrar no mercado de trabalho com as mesmas «armas». A socióloga Maria Filomena Mónica afirma que «a vingança será terrível» e «que as raparigas têm muito mais ambição».

Nunca um jornalista perguntou a um ministro – casado e pai, como concilia a sua atividade política com a sua vida particular. A uma ministra – casada e mãe, é logo a primeira pergunta que se lhe faz: «Como vai gerir o seu tempo de ministra com o de mãe e de dona de casa?!». Desta forma, quase inconsciente, se revela quanto a sociedade ainda é machista.

As mulheres evoluíram muito e, mesmo sendo consideradas como o sexo frágil, quando comparadas aos homens, venceram muitas dificuldades e barreiras. Desta forma, têm exercido atividades que algumas feministas do passado não poderiam imaginar, como conduzirem autocarros, serem polícias, primeiras-ministras e chanceleres de potências mundiais e, mais recentemente, surgiu a forte convicção de que os Estados Unidos da América, a primeira das potências mundiais podia finalmente ter uma Presidente.

Porém, há que se destacar que esta evolução ainda não é satisfatória, pois o número de mulheres que atingem o topo das carreiras de destaque e conquistam cargos de comando ainda é bem inferior aos dos homens nas mesmas condições.

O que se vive na contemporaneidade não é uma polarização: esta nova sociedade busca reconstruir a unidade de um mundo que ficou dilacerado entre um universo masculino, definido como superior, e um universo feminino, definido como inferior. As mulheres não buscam construir uma sociedade de mulheres, querem participar da construção desta sociedade com os homens, no mesmo plano que os homens. Por outro lado, querem fazê-lo como mulheres. Elas não querem, nem devem, masculinizar-se.

Não há dúvida de que, consciente do muito que há a fazer, a mulher moderna tem desbravado caminho. É ágil, segura, confiante e possuidora da capacidade de enfrentar os desafios dos novos tempos, sem nunca perder a sua feminilidade. Um mundo sem mulheres não era para mim!

A todas vós, bem hajam!

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