Ser ou não ser?

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António Fernandes Silva - colaborador Dão e Demo jornal digital

Por: António Fernandes Silva

É esta uma pergunta antiga, uma dúvida eterna, que nos acompanha desde o berço e nos deixa sempre na corda bamba, sem uma resposta capaz de satisfazer a curiosidade ou a angústia, na hora da decisão.

Pela vida fora, acompanha-nos a dúvida sistemática e a angústia de riscar o próprio caminho, num misto de esperança e de incerteza de quem acredita em si próprio, mas tem medo do vento e das circunstâncias, das nuvens e da escuridão, do brilho do sol ou do luar.

Somos um composto de medos e de ousadias, de avanços e recuos, de fugas e naufrágios, de vitórias e fracassos.

Sentimos que a nossa história é uma página cheia de gatafunhos, que não conseguimos decifrar nem alinhavar no tempo, mas também um livro branco de aventuras, que ficaram por escrever. E navegamos entre desilusões de caminhos empoeirados e aplausos de triunfos e louros de sabor amargo. E procuramos a praia e a margem do silêncio, onde o caminho e os erros de percurso se possam voltar a definir e avaliar.

Olhamos à volta e o país a sério, onde vivemos e projectamos a nossa força e capacidade de intervenção, pintando-o, desde crianças, como um verdadeiro paraíso na Terra, parece um campo minado, onde circula uma caranguejola, a ameaçar desfazer-se a qualquer momento, com turistas sorridentes, enquanto o revisor pica bilhetes de cidadãos importados e o guarda-freios pede aos anjos e a todos os santos da sua devoção que a máquina não saia dos carris ou não tenha de fazer alguma travagem brusca e repentina com sinais vermelhos na linha.

Nos lugares ao fundo, com bandeirinhas na mão, indiferentes à velocidade reduzida a que circulam, crianças da escola batem palmas ao encantamento da viagem e à felicidade de não haver aulas para que os seus professores se possam divertir a chamar nomes aos ministros.

Em todas as paragens e apeadeiros, há cartazes e pandeiretas, apitos e protestos, bandeiras e megafones, ameaças de greve e cortes de estrada.

Os turistas continuam a sorrir e a agradecer, julgando serem comités de boas vindas ou saudações das comissões de moradores dos bairros, onde se vêm instalar. Agitam cartões dourados para atestar o seu poder de compra e a intenção de contratar serviçais que lhes queiram limpar as casas, tratar da roupa ou arrumar os carros por tuta e meia.

A música de Verão e os pontapés na bola ajudam a iludir a diferença entre ser e não ser.

A resposta a questões fundamentais ficará eternamente adiada para nova época.

Encolher os ombros não resolve nem responde, mas vai deixando folgar as costas.

Pode ser que o pau demore bastante tempo a voltar e não encontre culpados.

Até lá, os alunos de hoje depressa serão doutores sem precisar de fazer exames ou de prestar provas de conhecimento, aptidão e competência. Como eleitos da nação, passam eles a ditar as leis com que se vai governar um país de faz de conta, que ninguém leva a sério.

Enquanto não chegam respostas prontas a tantas dúvidas e hesitações, que se aprenda, pelo menos, a não brincar com a vida das pessoas e a deixar para trás assuntos sérios e urgentes.

18.07.2018

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