Serena Williams

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Não acompanho o US open. Aliás não acompanho ténis. Sei quem é a Serena Williams pela marca mundial que tem vindo a deixar no desporto e não só. Mesmo que não soubesse quem era, nestes últimos dias iria saber quem ela é.

Estamos a falar do episódio da final do open. O que vi foi este pequeno resumo: a atleta recebeu indicações do treinador (algo ilegal no ténis) em prol disso recebeu um aviso do árbitro. Serena não reagiu bem a esta situação e barafusta partindo uma raqueta, perde um ponto. Chama ladrão ao árbitro e leva com um jogo de suspensão. Serena afirma que o que ali aconteceu se deveu ao fato de ser mulher, que colegas seus já tinham feito pior e não tinham sido castigados.

Será que houve uma atitude discriminatória por parte do árbitro? Foi mais rigoroso por ela ser mulher? Talvez, pode haver um mecanismo inconsciente na atitude de Carlos Ramos. Quantos de nós não temos atitudes inconscientes para com estereótipos que fomos encaixando? Agora, também podia ser apenas um árbitro a cumprir a regras.

Em bom rigor para percebermos tal deveríamos analisar todo o percurso do árbitro, para perceber se em situações semelhantes com homens atuou ou não da mesma forma.

Contudo, vamos ver a cena de outra forma: se fosse um jogador masculino a gritar e insultar daquela forma uma árbitra feminina? Que leitura faríamos? Não acharíamos que se estava a questionar a árbitra na sua competência, por se mulher? Ou não julgaríamos que o tenista se sentia (ainda que inconscientemente) mais forte que a árbitra ao ponto de minimizar as suas decisões?

“Serena estava a extravasar, talvez a pressão de um jogo que não estava a correr de feição”.

Acredito que uma atleta de alta competição se mova pela forte paixão ao jogo e sabemos que esta não é a melhor amiga da razão. Serena estava a extravasar, talvez a pressão de um jogo que não estava a correr de feição.

No futebol já vimos muitos jogadores a ameaçar árbitros e temos todos consciência que essa é uma atitude errada que não eleva o desporto. No ténis a leitura é a mesma.

Acredito que haja uma grande diferença de tratamento no que diz respeito à forma como o mau comportamento no desporto é punido em relação às mulheres — e não apenas no ténis. Mas, nos protestos contra o árbitro durante a final de sábado do US Open, serena esteve, em parte, errada. Não é boa ideia aplicar o critério de se os homens escapam sem castigo, então as mulheres também deviam escapar.

Hastear bandeiras que defendemos em todas as frentes pode banalizar (acredito que não tenha sido a intenção) mas a leitura vai passando. Se há regras a cumprir essas devem ser para todos. O tratamento igual não pode ser reivindicando apenas quando o vento sopra a nosso favor.

Com tudo isto ficou ofuscado o grande feito de Naomi Osaka que com 20 anos derrotou uma gigante do ténis. Porém ficou evidente que a sociedade deve debater todas estas questões e cada vez mais. Para que não haja situações dúbias que levantam trincheiras de combate.

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