Temos que questionar os manuais de instruções!

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Ela: o que estou a fazer mal?

Ele: O esquema está mal feito, só pode!

Tenho vindo a observar este comportamento ao longo do tempo. Enquanto que eu me questiono primeiro a mim, sempre que não consigo executar uma determina tarefa, o G. questiona o sistema, o processo, o manual de instruções etc… raramente se coloca a ele como variável!

É claro que cada pessoa tem a sua personalidade. Porém é aqui que importa atentar. Primeiro disclaimer, estamos apenas a trocar ideias, é um debate. Só para deixar claro que não sou a coitadinha de serviço. É que não faz mesmo o meu tipo. Segundo disclameir, isto não é contra ninguém, volto a repetir devagarinho. É. Apenas. Um. Debate.

Cada contexto educacional é diferente, mesmo entre irmãos. Portanto apesar de os dois sermos portugueses, europeus e vivermos no mesmo distrito, o meu contexto é tão díspar do dele como se entre nós houvesse distâncias de km. É esse o desafio da educação.

Mas, não vamos falar na educação em termos gerais, esse tema tão gigante e tão importante no mundo. Educar é pegar numa mochila vazia e recheá-la de conteúdo. O problema é que a mochila já vem com um molde que é diferente do molde da mochila original, portanto não é só despejar.

Não sei se quando nasci queriam que fosse princesa, não tenho muito esse cenário na minha cabeça. Mas de certo que me encheram de momentos “menina” esses ainda o sinto. Não foi culpa deles, foi o que foram ouvindo e depois reproduziram! Poderiam ter questionado. Talvez.

Foco na questão. Nós, mulheres, somos/fomos educadas sobre o prisma de que uma mulher tem de ser perfeita. Assim sendo, vamos desenvolvendo no subconsciente a máxima de que a variável errada num determinado problema, somos nós! Já os homens treinados para ir à luta e dar luta não se resignam tão facilmente. A eles foi-lhe dito que o mundo estava ali para eles o ganharem às mulheres foi-lhes dito que estavam ali para evitar trazer problemas ao mundo. Evitar sacudir o mundo dos homens. Ser uma boa esposa para que o homem possa dedicar-se ao trabalho. Ser uma boa mãe para que o homem se possa dedicar ao trabalho. Ser perfeita para a sociedade que sempre definiu onde era o lugar da mulher, em casa como todos sabem!

Os tempos estão a mudar. E sinto que este é o momento de um verdadeiro turn Off. No mercado de trabalho já lá estamos em força! Foi a nossa grande conquista, porém não deixámos cair o nosso outro domínio, o doméstico. Esse é o pequeno clique (não tão pequeno assim, mas vamos dar um alento) que falta dar-se para podermos chegar ao topo e explorar a igualdade/liberdade que merecemos.

É deste ponto que importa debater. Já se sabe que a educação perpétua para o bem e para o mal encerra muitas questões culturais. Óbvio que queremos que sejam veiculadas as noções de justiça, liberdade, igualdade… Mas teremos mesmo de rever valores de base para que se possam solidificar verdadeiramente os valores da igualdade e da liberdade!

Está no nosso subconsciente. Quando não conseguimos montar o móvel, colocamos a tónica no eu. Já eles tendem a questionar o manual de instruções, ou quem fez as peças. Falta (estamos em mudança), mas ainda falta educar o direito a questionar, a não dizer que o problema é nosso, que somos nós que não conseguimos. Importa dar bases para questionar mais e mais alto.

Raramente questionamos o manual de instruções, porque achamos que ele foi bem feito à partida. Falta a segurança para questionar os manuais de instruções (estamos a chegar lá), mas falta mais firmeza, mais confiança.

Todos os manuais têm gralhas!

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