Trump, um ano depois: ainda é o homem a abater!

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Por: António Fonseca (Lausanne – Suiça)

Há um ano atrás, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos da América. Eleito sozinho, contra tudo e todos. Contra os media, contra os intelectuais, contra os atores de Hollywood, contra a incrível campanha organizada para o abater. Contra o poder do clã do partido democrático, contra a senhora Clinton, que recebeu o apoio de Barack Obama, o mesmo que oito anos antes tinha dito coisas pouco simpáticas a seu respeito.

Na manhã de 9 de novembro de 2016, para todo este pequeno mundo, inclusive para Portugal, foi uma ressaca. O mundo caía aos pedaços. Um mundo estava a sair, dando lugar a outro que chegava. Um universo de referências, configurações, foi de repente pulverizado. Os políticos cá do burgo, que faziam campanha a favor da senhora Clinton, e tão inclinados que foram ao presidente Obama durante oito anos, não podiam acreditar. Mas um ano volvido, eles ainda estão em estado de choque. E nada aprenderam com o que aconteceu.

Mas será que Trump convenceu como presidente, desde 20 de janeiro de 2017?

A questão é, obviamente, difícil e a resposta complexa. Como para qualquer presidente, há boas pistas em algumas áreas, falhas em outras. Serão precisos quatro ou oito anos. Por enquanto, é cedo demais para julgar. Na política externa, não hesito em apontar um erro grande: o querer desfazer o acordo nuclear com o Irão, que foi (com Cuba) um dos dois únicos sucessos em oito anos da diplomacia Obama. Quanto à situação do Médio Oriente, os Estados Unidos nunca a compreenderam muito bem.

A atuação de Trump, no poder, essa podemos e devemos discuti-la. Exatamente o que recusa fazer, há um ano a esta parte, a nossa boa comunicação social, jornais e televisões, afinal, os perdedores de 9 de novembro de 2016. Para eles, Trump permanece mais do que nunca o homem a abater. Com uma inigualável ganância, eles mexem e remexem na ‘merda’ na esperança de um qualquer dos seus deslizes para condenarem o mais furtivo de seus tweets. Os media que se recusam em sair da era Obama, este “dançarino maravilhoso”, muito mais fino que Trump, o “emperucado”, que culpamos, com vulgaridade, constantemente.

Trump é, afinal, o “inimigo mortal” a quem nada é perdoado pelo facto de ter há apenas um ano (pecado original) ocupado o lugar que todos tinham reservado para a senhora Clinton. Trump é o perturbado, o usurpador. Ele está lá, ele está no poder, mas deve ser um erro, um pesadelo, uma disjunção do previsível. Ele é presidente, mas não nos podemos acostumar a isso. Então, continuamos, sem fim, em busca do mais pequeno deslize de seus atos, das suas palavras, para derramar toneladas de críticas negativas. Um ano depois, a imprensa europeia, ainda tão uniforme, não entendeu nada. Ela simplesmente se desliga da realidade mundial. Ela se encaixa no solitário brilho das certezas do sistema e quem não pensa assim é evidentemente um “facho”.

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