Turismo, turismo e turismo!

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Ana Nunes - Colaboradora Dão e Demo.

Por: Ana Nunes (*)

Raros são os dias em que os órgãos de comunicação social não abrem os seus noticiários com o tão badalado tema nacional. Turismo!

Portugal em 2017 venceu o prémio de Melhor Destino Turístico do Mundo nos World Travel Awards, tornando-se o primeiro país europeu a conquistar esta distinção. Lisboa foi considerada o “Melhor Destino para City  Break” e a Madeira o “Melhor Destino Insular”. No total o país conquistou seis “Óscares” no turismo no ano transato.

Em 2018 o país renovou nomeações. Portugal passou a ser considerado o melhor destino europeu nos World Travel Awards. Lisboa foi nomeada a “Melhor Cidade Destino” que acumulou com “Melhor Porto de Cruzeiros Europeu”, e por ai fora…

Foram 36 prémios, 21 dos quais como campeão europeu!

Reconheço que fiquei contente, mas não festejei. O prémio conquistado que realmente saboreei em pleno, foi o de “Melhor projeto europeu de desenvolvimento turístico – Passadiços do Paiva”.

É interessante como toda a classe política se “pavoneou” feliz e contente com a agitação dos gráficos a rebentar piques de movimentações de massas humanas pelo país. As alegrias demonstradas com estas estratégias turísticas levadas a curso, que segundo os entendidos, fez produzir riqueza nos sectores que movimenta e promove como empregabilidade, consumo, etc, etc e etc…

Andamos todos tão movimentados e tão motivados que nem paramos um pouco para refletir!

Afinal para onde se vocacionaram as maiores fatias destes prémios?! Lisboa, Porto, Algarve, Costa Litoral…e nós? Onde aparecemos nós, o interior?!

Tirando os “Passadiços do Paiva”, onde se move o interior do país nestas candidaturas a prémios de visibilidade, projeção e promoção?

Aquilo que, no momento, observamos no terreno, quando nos deslocamos pelas zonas do país “bafejadas” pelas benesses onde o turismo impera, é o constatar que estamos perante uma concentração maciça de visitantes e que a oferta turística, centrada de forma agressiva sempre nos mesmos polos de atração, leva à rotura de muitas dessas estruturas que se visitam em virtude de não se encontrarem estas vocacionadas para turismo de massas e não possuírem a salvaguarda necessária.

Já se vai descortinando, a olho nu, em algumas zonas mais condensadas de visitantes, um excesso de saturação e, muito pouco me enganarei, se ao se consultarem os famosos gráficos indicadores do excelente desempenho do turismo por terras lusas, que tanta alegria dão aos que os examinam e sabem de cor, fizermos o reparo para que se reformule uma observação mais cuidada dos mesmos com devida isenção, talvez se constate sem grande surpresa que estes já penderão em ascensão decrescente, mesmo com os picos elevados dos gráficos a demonstrarem uma realidade contrária.

Se temos como exato que Lisboa, Porto, Aveiro e Faro são destinos “âncora”, também é sabido que será a partir destes que a possível distribuição do fluxo turístico deverá ser repartida pelo país. Assim sendo, deixem que pergunte como se fosse “muito, muito burrinha”:

– Que estratégias e parcerias conjuntas estão a ser desenvolvidas entre os polos recetores de maior incidência de massas turísticas deste país, (Lisboa, Porto, Faro…), no sentido de distribuírem essas movimentações turísticas pelo interior do território? Que promoção internacional ou mesmo nacional, fazem os órgãos responsáveis das regiões turísticas às quais os territórios interiores pertencem, destes mesmos territórios? Serão todas as regiões contempladas de forma isenta, de preferências, pelos organismos que têm a cargo a sua representação?!

Uma coisa é certa, neste momento esta gente que nos visita, invade as principais cidades do país, contribuindo para a dificuldade de nelas transitar nos espaço abertos à visitação dos que acolhemos. Arranjar um espaço calmo para descansar os pés sem correr o risco de ser assaltado nestes sítios é praticamente impossível, fazer reserva para uma mesa de restaurante é uma aventura, e até corremos o risco de sermos rececionados em algumas casas comerciais por assistentes que não dominam uma única palavra de português.

É quase possível dizer que somos intrusos no nosso próprio país!

Por estes lados, e por esta altura, dezanove concelhos deste interior “profundo” têm os olhos e a esperança colocados no “Plano Estratégico para o Douro década 2030”, apresentado pela CIMDouro, (Comunidade Intermunicipal dos Municípios  Douro) que   na pessoa do  seu Presidente, Carlos Silva, autarca também do concelho de Sernancelhe,  na UTAD , em Audiência Pública com a presença dos senhores deputados da comissão eventual de acompanhamento do novo quadro comunitário do Portugal 2030 – Política de Coesão Económica, Territorial e Social, entre outras medidas, chamou a atenção de que futuramente é essencial e muito relevante para o turismo da região do Douro, medidas pendentes extremamente necessárias como as vias de comunicação rodoviárias, (IC26), ligação ferroviária (Porto – Madrid), além de um melhor aproveitamento da navegabilidade do Douro, para o desenvolvimento deste território. Realçou também o quanto fundamentais estas medidas são para a estratégia do futuro desta região que representa. Também alertou, que esta “…será a oportunidade derradeira para garantir competitividade, coesão e convergência territorial…l

Enquanto esperamos que se cumpra estas pretensões mais do que justas, e que nos fazem sonhar com um futuro mais risonho para estas terras tão esquecidas e desertificadas desta nossa região, e, continuando a contribuir o interior da nação, para devolver alguma serenidade aos locais mais absorvidos pelas invasões pacíficas dos visitantes que acolhemos neste nosso cantinho, “à beira mar plantado”,  e que  nos vão desgastando os recursos, vamos desesperando calmamente, à nossa maneira portuguesa,  com as políticas centralistas deste país, que nos prometem acrescentar anos de espera a esta zona do interior, impedindo a quem nele vive almejar um futuro mais risonho!

Como diz o povo; “Dias melhores virão”!

Lapa – Sernancelhe, 2018 -07-09

(*) Gestora turística

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