Vamos mudar o mundo? Arranjem 50 encapuzados.

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Inês Pina: Colaboradora Dão e Demo

Por: Inês Pina

Vamos falar sobre esta entropia universal!

Imaginam 50 gajos encapuzados a entrar pelo parlamento ao fim da aprovação da lei do financiamento dos partidos? Claro que não, isso seria pouco civilizado. Há que dar o corpo ao manifesto quando é por temáticas sérias. Certo?

Em pleno século XXI casa uma princesa e o mundo para. Os canais de televisão emitem non stop todo o momento. Mesmo que para encher chouriças seja necessário fazer questões tontas e repetitivas! Descreve-se o tempo, fala-se das nuvens que estão escassas, da alegria que se sente no ar… tudo para que se combinem as mil horas de emissão com uma voz de fundo! Foi assim? Não vi a emissão do casamento real, mas imagino que fosse isto.

Tudo muito bonito, não sou a ressabiada do amor, por isso toca de falar sobre o nobre tema. Um grande senão: se vão os jornalistas todos para Londres para ver uma cena bonita de amor, porque não o disseminam mais nos noticiários. Acho que tende a vender mais que as notícias-não-consigo-ver, vulgo crianças a morrer à fome, tiros e confrontos!

Na mesma semana entram 50 homens encapuzados nos balneários do sporting e desatam a bater nos jogadores. Como se sabe são eles os culpados de todo o mal do mundo, por isso este nobre grupo agiu para defender a Humanidade.

Já nos habituámos a ver árbitros a levar pancada, agora jogadores? Não. A mim chocou-me (sou benfiquista). Tenho para mim que Bruno de Carvalho está ao nível de um ditador. Escolham um Trump, Putin, ou um Kim, tenho para mim que ele tomava um cafezinho com qualquer um deles e, pelo meio, ainda chamavam jornalistas para dar um show de virilidade e poder! Estão a ver aquelas palestras motivacionais que falam do poder da força interior? Eles foram às outras que falam na força exterior!

Que o futebol é a paixão de muitos, já nós o percecionámos! Só para que conste o país para quando há derby. Não para quando há aumentos de combustível consecutivos, dá trabalho. Pois bem, ao fim do silêncio do jogo: os vencedores festejam e os derrotados partem tudo! Essa é a grande questão que se tem de limar. O futebol é um desporto que tentam à força toda incutir nos miúdos (muitos desejosos de haver mais Dolores) e depois vemos estes espetáculos dignos de um filme de terror. O que é vergonhoso não só para o país como para quem gosta realmente de futebol!

Eu que não sou muito ligada, (tenho os meus momentos) mas aquilo chocou-me, fiquei com um sentimento de vergonha alheia. E continuei com o mesmo sentimento na condução do processo do após! É isto que afasta as famílias do espetáculo. A liga não deveria intervir? Não estamos a anuir com a violência? E dar uma lição aos adeptos, do género jogos à porta fechada?! Tendo em conta o peso do futebol no nosso país e na formação dos nossos jovens deveria haver lugar a uma reflexão. Caso contrário vamos assistir a mais episódios do género!

Se toda a energia fosse canalizada para defender causas que realmente importam, não teríamos um país melhor?

Já se sabe que, sempre que Portugal sobe, logo a seguir tem de dar um trambolhão. Pois é, um ano em primeiro o outro em último. Foi assim na eurovisão.

Não ficamos em último na organização, foi digno de se ver (fala uma portuguesa que não viu as outras edições) talvez esteja a ser parcial.

Saiu Israel vencedor. Enquanto seria suposto uma comemoração a faixa de Gaza volta a ser palco de mortes. Tranquilo, essas sãos as notícias a que já nem ligamos, são fúteis como saber quem desenha o vestido da noiva! Dizem que a vitória de Israel foi acima de tudo política. Talvez.

Agora que este mundo navega numa forte entropia universal, disso não tenhamos dúvidas. Se tivéssemos o mesmo empenho que temos perante contos de fadas (que nos vendem), o futebol ou a música de certeza que o mundo seria um lugar melhor. Se um governo temesse errar como teme um árbitro, talvez tivéssemos menos corrupção. Se nos empenhássemos mais em cultivar o amor pelo outro teríamos menos ódio (juro que se passarmos da ação à prática não é cliché).

Às vezes penso nesta entropia universal que tendemos a olhar como se fosse algo imposto por quem está acima de nós. Mas, não seremos nós peças fundamentais? Não estaremos a subestimar o nosso papel? Não será mais fácil ficar na sombra?

Agimos muito pouco fora da nossa zona de conforto. Somos acomodados para o que realmente importa.

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